Ellen Bussaglia, a tradutora de Esposas e Filhas, de Elizabeth Gaskell e Longe Deste Insensato Mundo, de Thomas Hardy

Ellen Bussaglia, a tradutora de Esposas e Filhas, de Elizabeth Gaskell e Longe Deste Insensato Mundo, de Thomas Hardy, e A Pobre Srta. Finch, de Wilkie Collins, em andamento, fala dos prazeres e das dificuldades da vida de um tradutor literário.

Blog Pedrazul: Conte-nos a sua experiência com a tradução. Como foi traduzir uma obra de Elizabeth Gaskell e de Thomas Hardy?

Ellen: Nunca havia trabalhado com literatura de época, e traduzir Esposas e Filhas foi um grande desafio para mim. Além de a linguagem ser um pouco diferente, era necessário pesquisar os fatos que são mencionados na história, o que levou um pouco de tempo, mas foi uma experiência muito enriquecedora. O segundo livro, Longe deste Insensato Mundo, como eu já estava mais habituada à linguagem vitoriana, já foi mais tranquilo. Posso dizer que é um trabalho difícil, mas muito prazeroso!

Blog Pedrazul: Teve dificuldade em encontrar o tom do autor?
Ellen: Não muita. Tenho mais dificuldade na escolha das palavras adequadas à época em que a história se passa.

Blog Pedrazul: Em sua opinião é importante o tradutor gostar do gênero literário da obra a qual traduz?
Ellen: Sim, sem dúvida, a afinidade é uma grande ajuda. Sempre tive medo de traduzir gêneros que não me agradassem. Quando gostamos do gênero, temos maior familiaridade com os temas e sabemos onde procurar aquilo que não conhecemos.

Blog Pedrazul: Teve alguma surpresa com a história durante a tradução? O que lhe encantou na tradução?
Ellen: Chorei bastante quando alguns personagens morreram e senti raiva de algumas mocinhas!

Blog Pedrazul: Qual conselho daria para aquela pessoa que sonha ser um tradutor?
Ellen: Estudar muito o idioma que deseja traduzir; estudar a língua Portuguesa e as técnicas de tradução literária. É um trabalho que exige estudo e dedicação, mas recompensador.

Blog Pedrazul: Em sua opinião, qual a maior gratificação de um tradutor?
Ellen: Ver seu nome nos créditos da tradução da obra. Sabemos que as melhores traduções são aquelas em que o tradutor é invisível, mas o reconhecimento é muito importante para mim (e a forma como a Pedrazul faz isso é realmente diferente das outras editoras). Tenho muito orgulho do meu trabalho e de traduzir obras consagradas da literatura inglesa. Ter a oportunidade de traduzir pela primeira vez estas obras para o português é um aprendizado muito grande e que me deixa muito feliz pelo que faço.

12140818_10205464165543827_224263002598415887_n
Ellen Bussaglia, ao lado do busto do escritor Ernest Hemingway, em Key West, Na Flórida: paixão por literatura!

Clique aqui para adquirir Esposas e Filhas, de Elizabeth Gaskell:
Clique aqui para adquirir Longe Deste Insensato Mundo, de Thomas Hardy:
T
alvez se interesse por mais obras Elizabeth Gaskell: Cranford, O Chalé de Morland, Margaret Hale (Norte e Sul)
Quem se interessa por Margaret Hale (Norte e Sul), também se interessa por Um Coração Para Milton, de Trudy Brasure.
T
alvez se interesse pelos demais livros de Thomas Hardy: Tess dos D’Urvervilles, O Retorno do Nativo
V
isite o site www.pedrazuleditora.com.br e conheça as nossas publicações.

Longe Deste Insensato Mundo – Thomas Hardy

Far From the Madding Crowd, lançada em 1864, foi a obra com a qual Hardy ganhou notoriedade e se tornou um autor conhecido na Europa e fora dela. Atendendo aos seus leitores – que o solicitaram, provavelmente devido à adaptação cinematográfica da BBC , a edição da Pedrazul tem o título de Longe Deste Insensato Mundo.

Assim que você inicia a leitura deste livro compreende por que ele deixou o autor famoso. Longe Deste Insensato Mundo é inquestionavelmente belo: as paisagens são idílicas e o leitor se imagina caminhando por elas, em meio às ovelhas, sentindo o vento no rosto, pois Hardy faz alusão aos elementos da natureza em diversos trechos do livro; se imagina olhando as estrelas e ouvindo os suaves sons da flauta tocada por Gabriel Oak, o charmoso e íntegro fazendeiro que veio a se tornar um simples pastor de ovelhas.

“O céu estava claro, extremamente claro, e o brilho de todas as estrelas parecia não ser mais do que batimentos de um corpo, marcado por um pulsar comum.”

“Um exame cuidadoso do solo nas redondezas, mesmo que apenas sob a luz das estrelas, revelaria as figuras esbranquiçadas das mansas ovelhas.”

 “De repente, uma inesperada série de sons foi ouvida neste lugar. Eram de uma clareza que não podia ser encontrada em parte alguma do vento, e uma sequência que não podia ser encontrada em parte alguma da natureza. Eram as notas da flauta do fazendeiro Oak.”

capa_insensatomundo1a-1

Longe Deste Insensato Mundo é uma mistura do idílico com o real. Ao mesmo tempo em que o livro traz uma doçura extrema na pessoa de Gabriel Oak, no cenário, na natureza esplendorosa e cativante, Hardy ousou quebrar o arquétipo da mulher vitoriana submissa, pura, donas de casas perfeitas e fiéis. Aliás, as heroínas de Hardy são bem humanas, com desejos sexuais como os homens e, mesmo àquela época, ousavam demonstrá-los. Aqui, tanto Bathsheba Everdene quanto Fanny são mulheres reais, com seus desejos, e ousaram buscá-los.

A personagem principal, que recebe da parte de Hardy o nome de Bathsheba, numa referência à personagem homônima pela qual o rei Davi se apaixonou e se “desgraçou”, é ousada, franca e obstinada. Mas, mesmo Hardy sendo um autor com fama de pessimista, em Longe Deste Insensato Mundo não há grandes tragédias! Fiquem tranquilos!

Bathsheba, antes uma pobre camponesa, recebe uma herança da parte de um tio e se torna proprietária de uma vasta propriedade rural em Weatherbury, no interior da Inglaterra. A expansiva moça, ainda quando pobre, havia conhecido o fazendeiro Gabriel Oak, um homem sensato e justo, e ele tinha se interessado por ela a ponto de lhe propor casamento – coisa que ela não aceitou, alegando que não o amava. Embora o rapaz tivesse questionado, dizendo que a amaria acima de qualquer coisa e que seu amor era tão intenso que ele a amaria “por ele e por ela”, isso não funcionou para mudar a decisão da espirituosa moça.

“O amor, entretanto, é uma força possível na fraqueza real. O casamento transforma uma distração num apoio, o poder que deve ter e felizmente sempre tem em proporção direta ao grau de imbecilidade que suplanta. Oak começou a ver luz em sua direção e disse a si mesmo: “Vou fazer dela minha esposa, ou juro que não servirei para nada!”

 Gabriel Oak é aquele tipo de homem que daria o marido perfeito: amoroso, bondoso, íntegro, trabalhador, assertivo e não agressivo, além de belo. Que mulher no século XIX não aceitaria tal homem como marido? Bathsheba Everdene. Ela, assim como seu pai no passado, como por genética, tinha aversão ao compromisso do “viveram felizes para sempre”. Conta-se que o pai da moça, para continuar sentido atração pela esposa, embora esta tivesse sido a mulher mais bela do condado, tinha que “fingir” para ele mesmo que ela era solteira e não casada com ele. Portanto, Bathsheba, pelo jeito, havia herdado tal gene.

Abro um parêntese aqui para falar da vida do autor. Creio que Hardy se inspirou nele mesmo para criar Bathsheba. O autor se casou com Emma Lavinia Gifford, em 1874, após o sucesso estrondoso dessa obra. Entretanto, não tiveram filhos e foram muito infelizes. Mas, quando Emma morreu, ele se descobriu apaixonado por ela e amou “sua mulher morta e enterrada como nunca a amou em vida”, mesmo já estando casado com outra, uma autora infantil chamada Florence Emily Dugdale. Isso não lhe parece familiar?

Bem, voltando à ficção, algo acontece e o fazendeiro Oak perde tudo, e o destino o leva a ser um simples pastor de ovelhas da fazenda da agora rica Bathsheba. E o rapaz continua apaixonado por ela: “Oak, de repente, se lembrou de que oito meses antes ele havia lutado contra o fogo, no mesmo local, tão desesperadamente como ele agora lutava contra a água e pelo amor fútil da mesma mulher”.

 Entretanto, Bathsheba, que tinha aversão ao casamento, inquietava-se com verdadeiro destempero quando não era notada ou admirada pelo sexo oposto. Vizinho à sua fazenda morava um enigmático fazendeiro de meia-idade, Mr. Boldwood. Este não a notara e nem caíra de amor por Bathsheba. Boldwood já havia sido alvo de todas as moças casamenteiras daquela região e nenhuma delas conseguira levá-lo ao altar. Ela, então, numa brincadeira, usando o Dia dos Namorados como pretexto, envia-lhe uma mensagem. Aqui ela, irresponsavelmente, dá início a um drama que ela poderia muito bem ter passado sem ele. Quando o sedutor sargento Troy aparece na história, a jovem dama faz uma escolha terrível, a pior delas, confirmando que a máxima de que ‘mulher se apaixonada pelo cara malandro’ é bem antiga.

“[…] a cegueira pode operar de forma mais vigorosa do que a presciência, e o efeito míope mais do que se vê ao longe; essa limitação e não a integralidade é necessária para a luta.”

cote2_insensato_post_face-1

Em Longe Deste Insensato Mundo o destinos de três homens dependem da escolha de uma mulher, e ela descobre as terríveis consequências do seu coração inconstante. Hardy nos faz refletir sobre a diferença entre paixão e amor: a volatilidade da paixão e a durabilidade do amor verdadeiro. Aquele que quer o bem da pessoa, mesmo sendo rejeitado. Na paixão não há isso…

“As ofertas mais raras do mais puro amor não passam de comodismo e nada têm de generosidade.”

“O afeto deles era substancial, palpável. Os dois, que foram colocados juntos, conheciam os lados mais sombrios do caráter um do outro. O romance, agora, cresceria nos interstícios de uma massa da realidade dura e prosaica. Esta boa-comunhão-camaradagem, que geralmente ocorre através da semelhança, é, infelizmente, raramente adicionada na busca do amor entre os sexos, pois homens e mulheres não se associam em seus trabalhos, mas em seus simples prazeres. Onde, no entanto, a feliz circunstância permite o seu desenvolvimento, o sentimento prova ser o único amor que é forte como a morte, o amor que muitas águas não podem apagar, nem os rios afogar, ao lado do qual a paixão normalmente é evanescente como vapor.”

 É um romance de paixão, de amor e afeto, com descrições da vida rural e paisagens idílicas, e mostra com extrema honestidade as relações sexuais na época. O meu personagem preferido é Gabriel Oak. Não tem como não admirar a sua constância e a sua fidelidade. Há muitos personagens secundários, os empregados da fazenda de Bathsheba são hilários, nos fazem dar boas gargalhadas, e os diálogos mostram a cultura da região.

Mais uma vez aplaudo Hardy de pé! Tornou-se um dos meus autores prediletos por não “maquiar” a realidade e, ao mesmo tempo, ousar contar aquilo que necessita muita coragem! Foi criticado à época e até chamado de imoral; entretanto, é por esse motivo que as suas obras, embora clássicas, são tão contemporâneas!

Tradução de Ellen Bussaglia, a mesma tradutora de Esposas e Filhas, de Elizabeth Gaskell.
Resenha de Chirlei Wandekoken

Clique aqui para adquirir Longe Deste Insensato Mundo

Veja também outras obras de Thomas Hardy:
Tess dos D’Urbervilles
O Retorno do Nativo

 

 

 

 

TESS DOS D’URBERVILLES – THOMAS HARDY

Uma Mulher Pura
Quando um grande autor, tem que a sorte de encontrar um grande tema, o resultado é uma obra grandiosa! Assim é Tess dos D’Urbervilles.

Nossos impulsos são mais fortes que a razão, às vezes.”  (Cap. I)

 Tess é um livro pungente! Antes de dar início a resenha em si, vale destacar que eu não queria lê-lo exatamente por causa disso. Mas valeu cada página lida! Thomas Hardy era um homem com grande capacidade mental, razão pela qual é conhecido como um dos mais capacitados escritores de todas as épocas, e Tess é a prova disso.

O livro tem início com uma sacada incrível de Hardy. Um impulso de um pároco que, se tivesse se calado, toda a história pararia em seu silêncio, mas ele ousou falar, e, com isso, girou uma roda que mudou a vida de muitas pessoas.

O pobre e bêbado Jack Durbeyfield, o pai da doce Tess, estava indo para casa quando se depara com o pároco de Tringham que o cumprimenta como Sir John. Intrigado com isso, pois era a segunda vez que o clérigo o chamava de Sir, ele o indaga no dialeto local: “Discurpa, sinhô. Mas a gente se encontrô no úrtimo dia de feira nesta mesma estrada, mais ou meno no mesmo horário, e eu disse “Boa noite”, e o sinhô respondeu “Boa noite, Sir John”, iguarzinho agora […] “Posso sabê pru que me chamô de ‘Sir John’ todas essas veis, se apenas Jack Durbeyfield, o mascate?”

Foi aqui que a jornada de Tess teve início. Jack Durbeyfield, ao tomar conhecimento que ele descendia da nobre família d’Urberville, formada por nobres descendentes de Sir Pagan d’Urberville, que veio da Normandia com Guilherme, o Conquistador, ele ficou atônito e tomou a seguinte resolução: se ele era o único descendente de várias gerações de Sir Johns, com título de fidalguia hereditário, de agora para frente ele seria Sir John! Naquela mesma noite o bêbado mascate voltou para a taberna e foi comemorar a incrível descoberta: ele era um nobre! “E eu aqui, perambulando sem rumo, um ano atrás do outro, de um lugá pra outro, como se fosse um quarqué…”, disse Jack Durbeyfield.  Ele ainda ficou sabendo que em Kingsbere-sub-Greenhill, fileiras e mais fileiras de nobres d’Urberville repousavam em criptas com suas efigies em mausoléus de mármore.

Poucos dias depois, Mrs. Joan Durbeyfield, a mãe de Tess, descobriu que havia uma rica senhora com o sobrenome d’Urberville morando em Trantridge e Tess foi coagida a procurar a mulher para falar de tal parentesco. “Sabia que há uma Mrs. d’Urberville muito rica vivendo nos arredor de The Chase e que deve ser nossa parenta? Deve ir até ela e reclamá seu parentesco, e pedir ajuda em nosso momento de dificuldade”, disse Joan. Tess não queria ir. Ela havia estudado até a sexta série e, embora pouco para hoje, para a época e o local, era muito e ela era bastante inteligente. Ao contrário de seus pais, ignorantes e interesseiros, Tess tinha uma boa noção das coisas e tinha boa índole. Mas, como ela se sentia responsável pela morte do único cavalo da família, dessa forma, tirando o sustento dos pais e dos irmãos, ela se culpava e não teve alternativa senão ir procurar a tal dama d’Urberville rica:

“Nessa manhã memorável, a rota de Tess Durbeyfield passava pelas ondulações nordestinas de seu vale natal, o Vale de Blackmoor, onde sua vida desabrochara. Dos portões e degraus de Marlott, fitara o vale em seus imaginativos dias de infância, e o que antes fora misterioso não era menos agora. Vira de seu quarto, diariamente, torres, vilarejos, alvas mansões longínquas; sobretudo, a cidade de Shaston, majestosamente alta, com suas janelas como lamparinas no sol da tarde. Fora do vale, então, nada conhecia.”

Tess então desceu do coche em Trantridge Cross e subiu a pé a colina na direção do distrito conhecido como The Chase, uma floresta antiga localizada a sul e a leste de Shaston, em direção a The Slopes, a propriedade da tal Mrs. d’Urberville. Lá ela foi recebida pelo seu “primo”, Alec d’Urberville, um rapaz mau, que gostou dela imediatamente. Tess ficou trabalhando na propriedade de Alec d’Urberville, para sua cega e inválida mãe, cuidando das galinhas da estranha e excêntrica mulher. Na verdade, esses d’Urbervilles não eram os originais descendentes dos franceses normandos. O pai de Alec, Mr. Simon Stoke, já falecido, fizera fortuna como um honesto comerciante (alguns diriam agiota) no Norte da Inglaterra, e decidira estabelecer-se como um homem do campo no Sul, longe do clima de seu distrito comercial. Ao fazê-lo, sentiu a necessidade de recomeçar com um nome que não o identificasse tão imediatamente como o esperto comerciante; um nome que fosse menos comum. No Museu Britânico ele descobrira, estudando as páginas das nobres extintas famílias, o nome d’Urberville. Considerou que aparentava e soava tão bem e d’Urberville foi, assim, anexado ao seu próprio nome, para ele e para seus descendentes, eternamente.

Na mansão The Chase, onde Tess era uma simples empregada como outra qualquer, porém, a mais bela, tem início o seu martírio, com a obsessão de Alec d’Urberville por ela, o que mudaria toda a sua vida. Daqui para frente, a jornada de Tess e seu amor por Angel Claire – filho do bom e honesto reverendo Mr. Clare, de Emminster, um jovem contestador, que não acreditava na mesma fé do pai e, portanto, não seguiu carreira como pároco, como seus outros dois irmãos – é linda, triste, mas enriquecedora.

Que livro! Não dá para falar mais de Tess sem soltar spoilers. Portanto, vamos falar de Angel Claire!

14542831_1083133328435327_1181745618_n

“Abençoada seja sua inocência, Tess!” (Cap. II)

Uma parte que eu amo é o período em que Tess viveu na vacaria perto de Weatherbury, em Talbothays, o Vale das Grandes Vacarias, no qual “leite e manteiga transformavam-se em riqueza, a campina verdejante era tão bem irrigada pelo rio Var ou Froom.” Lá ela reviu Angel Clare, “que surge do passado”, pois Tess já havia visto Angel, dois ou três anos antes, numa breve aparição dele no baile de Marlott. Na época, ela tinha gostado dele, mas ele não a notara.

“E assim como cada uma e todas eram aquecidas pelo calor do sol, cada uma possuía seu sol particular para deleite da alma: algum sonho, alguma paixão, algum passatempo, uma esperança distante e remota que, mesmo sufocada, sobrevivia, como costuma sobreviver a esperança.” (Cap. II)

Portanto, encontramos Angel Clare, aos vinte e seis anos, em Talbothays, como um estudante de vacas leiteiras. E, com não havia casas próximas em que pudesse obter alojamento confortável, tornara-se um inquilino do leiteiro. Ele e Tess ficaram amigos; ele se encantou com a beleza e a doçura dela, e se apaixonaram perdidamente, mas ela nada contou de seu passado.

“A beleza ou feiura de um caráter não está apenas em seus feitos, mas em suas intenções e impulsos; sua verdadeira história não se encontra naquilo que realiza, mas naquilo que sonha.” (Cap. XLIX)

blog

Angel fora para Talbothays para ficar por seis meses, como aprendiz, depois de passar por outras fazendas. Seu objetivo era adquirir a habilidade prática nos vários processos da administração de uma fazenda, com o fim de tentar a vida nas Colônias. Há uma parte do livro que se passa no Brasil, quando Angel veio para cá em busca de oportunidades. Sua entrada no ramo da agricultura e da criação de gado, contudo, não fora um passo antecipado por ele ou por outros. Como ele não queria ser pároco, decidiu ser fazendeiro.

Na vacaria ele e Tess tomaram uma decisão que, mais uma vez, dará um novo norte à vida de Tess, e de Angel.

“E era o toque de imperfeição sobre a quase perfeição que lhe conferia a doçura, pois era aquilo que lhe dava sua humanidade.” (Cap. XXIV)

Tess é um livro extremamente rico. A jornada dessa linda jovem, suas vicissitudes, seu amor por Angel Claire, suas decepções, dores, nos ensinam muito. Thomas Hardy era um homem muito culto, portanto, Tess é uma escola de vida. Se triste ou feliz, não importa, o que de fato conta é que a história jamais vai se apagar de nossa mente e as lições sobre escolhas, ou não; destino, ou seria consequências?, ficarão para sempre! Jamais deixe de lê-lo porque lhe disseram que é uma obra triste. Tess é uma obra-prima grandiosa, é tão profunda que está acima de qualquer pormenor.

Assim operam o fluxo e o refluxo – o ritmo da mudança, que se alterna e persiste em todas as coisas sob o céu. (Cap. L)

A tradução de Luana Musmanno
Resenha de Chirlei Wandekoken

Clique aqui para adquirir Tess dos D’urbervilles

Veja também outras obras de Thomas Hardy:
Longe Deste Insensato Mundo
O Retorno do Nativo