Tradutora de Uma Noite Escura relata a sua experiência!

Taynée Mendes, tradutora de Uma Noite Escura e Minha Lady Ludlow, ambos da autora Elizabeth Gaskell, relata a sua experiência na tradução da mestra dos romances de época que, aliás, recebeu de Charles Dickens a carinhosa alcunha de “querida Scheherazade”, devido a sua habilidade em contar histórias. “Se você gosta de autores ingleses clássicos, não pode deixar de conhecer as obras de Gaskell, cujo nome é muito famoso e reverenciado na Inglaterra. Numa oportunidade, visite à Westminister Abbey, em Londres, pois há um espaço em homenagem aos escritores ingleses, o Poet’s corner. Lá está Elizabeth Gaskell ao lado de Jane Austen e Charles Dickens”, relata Taynée. Os livros da autora falam sobre as mudanças sociais do século 19, principalmente, as consequências da Revolução Industrial e o papel da mulher em uma sociedade altamente aristocrática. Se você gosta de séries britânicas como Downton Abbey, também vai amar Uma Noite Escura. Na série e nos livros de Gaskell, a chegada da modernidade é um grande desafio para os ingleses arraigados em suas posições sociais e mentalidades do passado.

A tradutora!

Formada em Produção Editorial e Jornalismo, Taynée sempre amou ler e escrever. Iniciou sua carreira trabalhando em editoras onde teve seu primeiro contato com tradução. Também trabalhou no cotejo de obras originais com suas traduções em português, dessa forma, viu de perto as soluções criativas dadas pelos tradutores ao traduzir trechos particularmente complexos, expressões muitas vezes inexistentes em nosso idioma. “Fiquei fascinada por este trabalho e procurei me especializar ainda mais. Percebi que o bom tradutor deve ser, antes de mais nada, um bom leitor. Uma Noite Escura é especial por ser minha primeira tradução de ficção, literatura pura e simples. A meu ver, a principal dificuldade foi adaptar palavras e títulos típicos da monarquia inglesa, algo tão natural para o leitor inglês familiarizado com seu passado histórico e, ao mesmo tempo, tão distante para o leitor brasileiro, que viveu uma monarquia tupiniquim bastante peculiar.”

Peculiaridades de Gaskell!

“Ao ler o primeiro capítulo, nota-se o tom irônico da autora. Percebe-se em sua escrita que, ao abusar dos adjetivos nas falas de alguns personagens, Gaskell pretende criticar o excesso de polidez, apenas aparente, da aristocracia inglesa e, principalmente, da pequena nobreza do condado de Hamley. As intervenções do narrador, geralmente marcadas em primeira pessoa, são utilizadas para dar uma explicação adicional ou para elucidar uma característica que pudesse passar despercebida. A capacidade descritiva da autora também é algo fenomenal. Lembro que as cenas mais dramáticas de Uma Noite Escura e também de Minha Lady Ludlow são descritas de uma forma fria e direta, o que contribui para a sensação de horror ali presente.”

Gosto pelo gênero!

“Acredito que um bom tradutor pode traduzir qualquer coisa, porém há áreas específicas em que o profissional pode se especializar. No caso de tradução literária, acredito que o tradutor precisa ler muitos romances e se familiarizar com os termos próprios daquela área, além de ter uma certa sensibilidade para compreender o estilo do autor. Essa dimensão, dispensável em outros tipos de tradução, é impreterível na tradução literária. E se o tradutor já gosta do gênero, a tradução será ainda mais prazerosa.”

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Surpresa e encantamento!

“Foram várias surpresas durante o processo de tradução. A própria trama de Uma Noite Escura é surpreendente. Quando os personagens são muito bem construídos, você chega a se identificar com eles, uma empatia acontece. Só que quando o personagem sofre, você sofre junto! Lembro que passei dias angustiada com a situação vivida por Ellinor. Gaskell realmente surpreende seus leitores, porque nunca acontece o que se espera que vá acontecer. Nesse sentido, Uma Noite Escura se aproxima dos romances policiais, na medida em que a cada capítulo prende muito a atenção do leitor. Talvez o fato de ter sido originalmente publicado no formato de folhetim possa ter contribuído para isso. Como tradutora e leitora, gostei muito desse suspense!”

Para quem pretende ser um tradutor!

“Leia muito! Principalmente se você quer traduzir literatura. Mais que saber a língua da qual se quer traduzir, é preciso saber bem o português. Por isso, escrever também é essencial. Ter certa prática em jornalismo me ajudou sempre a pensar no leitor, a escrever textos claros e objetivos. Por isso, falar outra língua de forma fluente não faz de ninguém um bom tradutor. É preciso entender as nuances da língua estrangeira e saber expressar esse sentido em sua língua materna. Fico com o conselho de Umberto Eco, em Quase a mesma coisa, mais que reproduzir palavras em outra língua, é preciso buscar o mesmo efeito do original na língua de destino.”

Gratificação!

“Acredito que um livro pode mudar vidas e acho gratificante poder contribuir para que mais pessoas tenham acesso àquele texto que, por conta da barreira do idioma, não teriam.”

Elizabeth Gaskell: a Scheherazade britânica

Por Taynée Mendes

 A escritora inglesa Elizabeth Gaskell ainda é pouco conhecida em terras tupiniquins. Injustificadamente, é claro: seu nome é tão importante na literatura clássica inglesa que figura no Poet’s Corner, em Westminister Abbey, em Londres, ao lado de nomes mais conhecidos como a grande Jane Austen e o genial Charles Dickens. Aliás, foi dele que recebeu a carinhosa alcunha de “querida Scheherazade”, devido a sua habilidade em contar histórias.

Nascida em Londres, Elizabeth Cleghorn Stevenson Gaskell (1810-1865) foi autora de seis romances, vários contos e uma biografia de Charlotte Brontë, com quem se encontrou apenas duas vezes, mas manteve uma intensa amizade por cartas. Em seus livros, examina questões sociais de sua época, principalmente as consequências da Revolução Industrial no século XIX, a ascensão da classe média em uma arraigada aristocracia e a posição da mulher na sociedade. Sua obra mais representativa é, sem dúvida, Norte e Sul (1855), em que contrasta a vida industrial e “moderna” do Norte da Inglaterra com a vida do Sul, pacata e mais tradicional. O romance ganhou adaptação para TV pela rede britânica BBC em 2004.

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A novela Uma Noite Escura foi publicada em 1863 – dois anos antes de sua morte – no formato de folhetim na revista All Year Round, de Charles Dickens, com o título A Dark Night’s Work. A trama conta a vida de Edward, filho de um advogado bem-sucedido; note: “apenas” um advogado e, por isso, era menosprezado pela pequena nobreza da região. Na Inglaterra vitoriana, ter dinheiro não significava muito se não fosse acompanhada de uma boa posição ou um título de nobreza. Naquele tempo, o dinheiro não comprava status. Mas Edward bem que tentou: tinha cavalos invejáveis, uma biblioteca enorme e quadros valiosos. Não era o suficiente para conquistar o respeito e admiração que tanto desejava. Casou-se com Lettice, de uma linhagem nobre e teve Ellinor como filha. Com a morte de Lettice, a menina se apegou cada vez mais ao pai, que mal sabia o que o destino reservava para os dois. Crescida, Ellinor se apaixona por Ralph, filho caçula da família Corbet. Ralph também a amava, porém seu amor acompanhava a ambição de se tornar juiz em Londres. E é sua ambição que pode colocar tudo a perder para os dois, principalmente após um grave acontecimento em uma noite escura que mudará para sempre a vida da família Wilkins.

Em Uma Noite Escura, Gaskell contrapõe duas concepções de modernidade. A primeira é vista de forma positiva na medida em que critica a espantosa discriminação de classes na Inglaterra, com seus motivos fúteis e valores questionáveis, evidente nas tentativas inúteis de Edward em pertencer à nobreza. A segunda é personificada na ambição de Ralph, um jovem que enxerga além de todos os preconceitos de classe e que enfrenta a sua família por causa do seu amor. Se Gaskell não vê com bons olhos o passado, tampouco vê um futuro industrial brilhante. No desenrolar do romance, a construção de uma ferrovia – com todo o seu simbolismo moderno – terá consequências drásticas na vida dos personagens.

Como em toda literatura inglesa clássica, é nos pequenos gestos que se revelam grandes personalidades. A maneira sutil de contar cada detalhe dos personagens faz com que o leitor mergulhe na história de cada um, desvendando motivações e temores profundos. Um estilo delicado, sim, mas não menos impactante. As cenas mais dramáticas que se seguem em Uma Noite Escura são contadas de forma serena e fria; uma frieza necessária para transmitir todo o horror ali presente.

Pelo tom obscuro, há quem diga se tratar de uma novela gótica, mas é possível ver traços realistas que ultrapassam a barreira do tempo e da história: pessoas materialistas com grandes ambições, capazes de tudo para atingir seus objetivos. Não muito diferente dos dias atuais. A mensagem do livro, tipicamente vitoriana, é clara: toda ação tem consequências, porém, alguns, como a doce e inocente Ellinor, costumam pagar um preço mais alto que outros.

São de Elizabeth Gaskell também as obras: Esposas e Filhas, Margaret Hale (Norte e Sul), Cranford, O Chalé de Moorland, Os Amores de Silvia, Mary Barton, Ruth e Prima Phillis.

 

 

 

 

O que você quer ler primeiro?

Prezados leitores, a sua opinião é muito importante para nós. Ajude-nos a escolher a nossa próxima publicação.

 

Sinopses:

Senhorita Mackenzie – Anthony Trollope

Tradução de Luana Musmanno, a mesma tradutora de Tess.

Após a morte do irmão, a discreta solteirona Margaret Mackenzie descobre-se herdeira de uma grande fortuna. Decidida a desfrutar de uma vida mais confortável e agitada, Miss Mackenzie transfere-se para Littlebath, movimentada cidade onde não faltarão festas, novidades e pretendentes.  Após a mudança de vida proporcionada pela recém-adquirida fortuna, ela volta a considerar a possibilidade de matrimônio. Três pretendentes aparecem: o  clérigo Rev. Mr. Maguire, o comerciante Samuel Rubb Jr. e o futuro baronete John Ball. Margaret precisará decidir qual dos três interessa-se por ela – não por seu dinheiro – e qual deles poderá oferecer-lhe o tipo de amor que procura.

Uma Noite Escura – Elizabeth Gaskell

Tradução de Taynée Mendes Vieira.

Ellinor Wilkins, a filha única de um rico advogado de Hamley, interior da Inglaterra, era ainda adolescente quando conheceu e se apaixonou pelo pupilo de Mr. Ness, Ralph Corbet, filho de uma família aristocrata. Alguns anos se passaram e Mr. Corbet, que tinha ido estudar em Londres, retorna e nota a diferença na menina magricela e tímida: ela tinha se tornado uma moça adorável. O noivado, embora contra a família do rapaz, foi inevitável. Miss Ellinor era tão feliz, que às vezes temia tanta felicidade! Contudo, numa noite escura, algo aconteceu e mudou a sua vida, e a de todos que a cercavam, para sempre.

Silvia Rezende, a tradutora de Cranford, de Elizabeth Gaskell, e Lady Anna, de Anthony Trollope!

Tradutora há mais de dez anos, Silvia já perdeu as contas de quantas obras já passaram por suas habilidosas mãos. Para a Pedrazul, ela traduziu Cranford, de Gaskel, e está na fase final de Lady Anna, de Trollope.

“Os livros são como filhos; alguns saem mais bonitos, outros nem tanto, mas todos levam todo o meu empenho e envolvimento com o trabalho que exerço com tanto carinho e satisfação.”

Blog Pedrazul: Como deu início à carreira de tradutora?

Silvia: Iniciei a carreira de tradução meio que por acaso. Eu tinha acabado de me mudar dos Estados Unidos de volta para o Brasil, junto de meu marido e meus dois filhos, sentindo que precisava fazer algo mais além de me dedicar somente à família; sentindo que precisava me realizar profissionalmente também. Após avaliar várias possibilidades, inclusive retomar o curso de psicologia que eu havia trancado no segundo ano, decidi que iria fazer algo totalmente novo, aproveitando o novo idioma conquistado, e prestei vestibular para o curso de Letras, Tradutor/Intérprete, na extinta UNIBERO. Foram quatro anos de muito estudo, tanto do inglês quanto do português. Mesmo antes de formada eu já tinha em mente que queria trabalhar com tradução editorial, e com este objetivo, saí à luta com um diploma em mão e nenhuma experiência. Não foi fácil conseguir que a primeira porta se abrisse, mas depois de muita insistência e muitos nãos, finalmente consegui uma oportunidade. Mas depois de algum tempo, minha sede de saber e curiosidade, traço que acompanha todo tradutor, não tinha cessado e resolvi retomar meus estudos; e desta vez busquei uma pós-graduação em Crítica Literária, pela PUC de São Paulo. Foi uma delícia circular pelo meio acadêmico novamente, tomar contato com novos autores, novas teorias e conceitos. Ainda tenho planos e um projeto para um mestrado. Quem sabe…

Blog Pedrazul: Quais gêneros você já traduziu?

Silvia: Ao longo da minha carreira já traduzi obras de vários gêneros literários, como por exemplo: livros de receitas, infantis, muita coisa de infanto-juvenis, livros técnicos, e principalmente romances de época, futuristas e contemporâneos.

Blog Pedrazul: Para você é importante traduzir o gênero que gosta?

Silvia: Não creio que seja essencial o tradutor gostar do gênero que traduz, mas sem dúvida isto torna o ato mais prazeroso.

Blog Pedrazul: Quais as maiores dificuldades encontradas por um tradutor?

Silvia: Uma das maiores dificuldades é pegar o jeito do autor, o tom e o estilo. Às vezes isso acontece logo no primeiro capítulo, em outros demora um pouco mais. E o grande desafio nos romances de época é a escolha lexical dos autores, pois muitas vezes nos deparamos com palavras e estruturas que caíram em desuso.

Blog Pedrazul: Quais as maiores alegrias encontradas por um tradutor?

Silvia: O envolvimento com a história, sem dúvida! Normalmente me envolvo com a obra, e não foram poucas as vezes que chorei enquanto traduzia algum trecho triste ou ri muito nos engraçados. O ato de traduzir sempre foi muito prazeroso, pois através dele tenho contato com outras culturas, personagens, histórias e estilos de escrita, além de possibilitar que outras pessoas possam ter acesso a obras originalmente publicadas em outro idioma. Confesso que acabo me apegando ao livro que estou traduzindo e sofro para deixá-lo partir. Leio e releio, melhoro alguma coisa, e sempre tenho a impressão de que se lesse mais uma vez ainda iria encontrar algo mais que poderia ser aprimorado. Os livros são como filhos; alguns saem mais bonitos, outros nem tanto, mas todos levam todo o meu empenho e envolvimento com o trabalho que exerço com tanto carinho e satisfação.

 "Estudem sempre, tanto o idioma de partida quanto o de chegada, principalmente, pois é essencial o domínio do idioma para o qual se está traduzindo. Leia muito e de tudo para ampliar o vocabulário, estude sempre, vá ao cinema e ao teatro, viaje muito, se possível."
“Estudem sempre, tanto o idioma de partida quanto o de chegada, principalmente, pois é essencial o domínio do idioma para o qual se está traduzindo. Leia muito e de tudo para ampliar o vocabulário, estude sempre, vá ao cinema e ao teatro, viaje muito, se possível.”

Blog Pedrazul: Conte-nos como foi o processo de tradução de Cranford?

Silvia: Adorei quando soube que iria traduzir Cranford para Pedrazul, pois apesar de ainda não ter lido o livro e eu já tinha assistindo alguns episódios da fantástica série televisiva inspirada nesta obra e produzida pela BBC de Londres. O livro superou todas as minhas expectativas. Ao longo do trabalho fui me afeiçoando aos personagens, rindo com as suas aventuras e sofrendo com as desventuras. Gaskel tem um senso de humor e crítico incríveis, que lembra muito o de Jane Austen. Ela, assim como Austen, que foi sua antecessora, escrevia numa época em que ser escritor não era coisa para mulheres, que nem tinham direito a herança. Porém de uma forma bem-humorada e que soa natural, ela cria a fictícia Cranford, cidade no interior da Inglaterra, habitada por solteironas e viúvas, que dominam a cidade tanto no aspecto financeiro, pois elas são donas das melhores casas, quanto no social, pois são elas que ditam as regras de conduta da cidadezinha. Trata-se de uma história cativante, comovente, engraçada e sensível.

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Blog Pedrazul: Há uma expectativa imensa em torno de Lady Anna, pois Anthony Trollope é ainda quase desconhecido no Brasil. Conte-nos um pouco dessa experiência.

Silvia: Lady Anna é o segundo livro que estou traduzindo para a Pedrazul e tive o prazer de poder escolhê-lo entre outros tantos. A editora me mostrou briefings de obras e me deu a oportunidade da escolha. Isso é um diferencial na Pedrazul! Nesta obra, o estilo do autor deu um pouco mais de trabalho e levei um tempo para me acostumar com seus parágrafos extensos e palavras que caíram em desuso. A trama é forte, os personagens mostram caráter e personalidade e o autor consegue manter o clima de suspense até o final. Mas Lady Anna, além de ser uma história de amor, tem também uma forte vertente sociológica. Trollope questiona as diferenças entre a classe nobre inglesa e a classe trabalhadora e os preconceitos de ambos os lados. É uma narrativa intensa, que apesar de ter sido escrita em 1871 e publicada pela primeira vez no formato livro em 1874, ainda é atual, pois aborda temas universais como o amor e as lutas de classes. Tenho certeza de que os leitores vão amar tanto quanto eu esta intensa história de amor.

Blog Pedrazul: Qual conselho daria para quem deseja iniciar carreira como tradutor?

Silvia: Estudem sempre, tanto o idioma de partida quanto o de chegada, principalmente, pois é essencial o domínio do idioma para o qual se está traduzindo. Leia muito e de tudo para ampliar o vocabulário, estude sempre, vá ao cinema e ao teatro, viaje muito, se possível. Nunca perca a curiosidade. Desconfie sempre das palavras, elas são traiçoeiras e adoram pregar peças. Nunca desista no primeiro não que escutar, insista, persista, e traduza para treinar e adquirir prática. Mas acima de tudo, trabalhe com amor.

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Talvez se interesse por mais obras Elizabeth Gaskell: Esposas e Filhas, O Chalé de Morland, Margaret Hale (Norte e Sul)
Quem se interessa por Margaret Hale (Norte e Sul), também se interessa por Um Coração Para Milton, de Trudy Brasure.
Sobre Anthony Trollope, talvez se interesse por A Senhorita Mackenzie
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O tradutor é o artista na retaguarda do autor!

Andrea Carvalho, tradutora de O Chalé de Moorland e Lizzie Leigh, de Elizabeth Gaskell, publicados em um único volume, e O Diário de Mr. Darcy, de Amanda Grange, e, em andamento, para lançamento no início de 2017, A Pequena Dorrit, de Charles Dickens, fala-nos do prazer indescritível de concluir uma tradução e das especificidades de um bom tradutor. “O tradutor é um coautor da obra, ele precisa ter uma veia artística”. A entrevista completa você confere aqui e, em vídeo, no canal Pedrazul no Youtube.

“Traduzir a Pequena Dorrit está sendo um grande prazer, pois Charles Dickens traz o que mais me seduz na literatura, que é a linguagem enquanto arte.”

Blog Pedrazul: O que o profissional tem que ter para ser um bom tradutor?

Andrea: A tradução é um trabalho bastante minucioso e o tradutor precisa realmente gostar do que faz, além de todo o cuidado com a linguagem, respeitando a textura do original, é necessário todo um trabalho de pesquisa em torno do contexto da obra e das referências trazidas pelo autor. A pessoa que trabalha com tradução literária precisa gostar realmente de literatura e precisa ter prazer em trabalhar com a linguagem; caso contrário, é impossível conseguir um bom resultado. O tradutor de uma obra é um coautor, ele precisa ter uma veia artística. Se você gosta de literatura e traduz uma obra com carinho e dedicação, o prazer quando conclui o trabalho é indescritível.

Blog Pedrazul: E como foi traduzir as obras de Elizabeth Gaskell?

Andrea: O Chalé de Moorland e o Lizzie Leigh são dois livros carregados de emoção, são obras que quando você lê fica óbvio que a autora é uma mulher. Chorei muito durante a tradução, as histórias tocam o leitor de uma maneira muito especial. Gaskell tem uma delicadeza na linguagem que eu precisei tomar muito cuidado para manter. E ela faz citações como, por exemplo, de poemas de autores clássicos como Shakespeare e outros é um trabalho à parte traduzi-los, além de textos similares que muitas vezes aparecem no meio da obra. Mas é uma autora espetacular e foi uma honra para mim traduzir duas de suas obras-primas.

Capa o chalé de moorland

Blog Pedrazul: Fale-nos do processo de tradução de O Diário de Mr. Darcy, de Amanda Grange?

Andrea: O Diário de Mr. Darcy traz a versão subjetiva de um dos personagens centrais do romance clássico Orgulho e Preconceito, de Jane Austen. Assim como o clássico, a obra de Amanda Grange tem todo o charme típico dos romances da era georgiana. Foi uma tradução bastante tranquila e agradável, pois você se envolve com a história, fica querendo saber o que vai acontecer em seguida, torce pelos personagens, portanto, foi um trabalho realmente muito agradável e o livro é maravilhoso. Com certeza todo fã de Austen vai amar ler a continuação de Amanda Grange.

Capa O Diário de Mr. Darcy

Blog Pedrazul: Você aceitou um desafio e tanto, que foi traduzir Charles Dickens, conhecido por suas frases longas e estilo único. Como está a tradução de A Pequena Dorrit?

Andrea: Dickens era sem dúvida um gênio! A Pequena Dorrit é de longe o trabalho mais difícil da minha carreira como tradutora. Charles Dickens era um gênio da literatura, extremamente inteligente, crítico, e de uma sensibilidade humana e artística assustadora. A maior dificuldade desse trabalho não é apenas lidar com o vocabulário e as estruturas de complexidade absurda, mas é também respeitar o jogo poético da linguagem, sem mencionar as inúmeras referências. Traduzir A Pequena Dorrit está sendo um grande prazer, pois Charles Dickens traz o que mais me seduz na literatura, que é a linguagem enquanto arte.

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“A pessoa que trabalha com tradução literária precisa gostar realmente de literatura!”

 

 

 

 

Ellen Bussaglia, a tradutora de Esposas e Filhas, de Elizabeth Gaskell e Longe Deste Insensato Mundo, de Thomas Hardy

Ellen Bussaglia, a tradutora de Esposas e Filhas, de Elizabeth Gaskell e Longe Deste Insensato Mundo, de Thomas Hardy, e A Pobre Srta. Finch, de Wilkie Collins, em andamento, fala dos prazeres e das dificuldades da vida de um tradutor literário.

Blog Pedrazul: Conte-nos a sua experiência com a tradução. Como foi traduzir uma obra de Elizabeth Gaskell e de Thomas Hardy?

Ellen: Nunca havia trabalhado com literatura de época, e traduzir Esposas e Filhas foi um grande desafio para mim. Além de a linguagem ser um pouco diferente, era necessário pesquisar os fatos que são mencionados na história, o que levou um pouco de tempo, mas foi uma experiência muito enriquecedora. O segundo livro, Longe deste Insensato Mundo, como eu já estava mais habituada à linguagem vitoriana, já foi mais tranquilo. Posso dizer que é um trabalho difícil, mas muito prazeroso!

Blog Pedrazul: Teve dificuldade em encontrar o tom do autor?
Ellen: Não muita. Tenho mais dificuldade na escolha das palavras adequadas à época em que a história se passa.

Blog Pedrazul: Em sua opinião é importante o tradutor gostar do gênero literário da obra a qual traduz?
Ellen: Sim, sem dúvida, a afinidade é uma grande ajuda. Sempre tive medo de traduzir gêneros que não me agradassem. Quando gostamos do gênero, temos maior familiaridade com os temas e sabemos onde procurar aquilo que não conhecemos.

Blog Pedrazul: Teve alguma surpresa com a história durante a tradução? O que lhe encantou na tradução?
Ellen: Chorei bastante quando alguns personagens morreram e senti raiva de algumas mocinhas!

Blog Pedrazul: Qual conselho daria para aquela pessoa que sonha ser um tradutor?
Ellen: Estudar muito o idioma que deseja traduzir; estudar a língua Portuguesa e as técnicas de tradução literária. É um trabalho que exige estudo e dedicação, mas recompensador.

Blog Pedrazul: Em sua opinião, qual a maior gratificação de um tradutor?
Ellen: Ver seu nome nos créditos da tradução da obra. Sabemos que as melhores traduções são aquelas em que o tradutor é invisível, mas o reconhecimento é muito importante para mim (e a forma como a Pedrazul faz isso é realmente diferente das outras editoras). Tenho muito orgulho do meu trabalho e de traduzir obras consagradas da literatura inglesa. Ter a oportunidade de traduzir pela primeira vez estas obras para o português é um aprendizado muito grande e que me deixa muito feliz pelo que faço.

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Ellen Bussaglia, ao lado do busto do escritor Ernest Hemingway, em Key West, Na Flórida: paixão por literatura!

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alvez se interesse por mais obras Elizabeth Gaskell: Cranford, O Chalé de Morland, Margaret Hale (Norte e Sul)
Quem se interessa por Margaret Hale (Norte e Sul), também se interessa por Um Coração Para Milton, de Trudy Brasure.
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alvez se interesse pelos demais livros de Thomas Hardy: Tess dos D’Urvervilles, O Retorno do Nativo
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Margaret Hale / Norte e Sul – Elizabeth Gaskell

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Um romance para fazer vibrar o mais duro coração!

Olhando rapidamente o que se apresenta sobre a obra por aí, um leitor desavisado poderia imaginar que Margaret Hale se trata de um conflito da mocinha inglesa sulista com o mocinho do norte. Mas, antes de iniciar esta resenha, vale ressaltar que o título original dessa obra era Margaret Hale e que Norte e Sul foi imposto por Charles Dickens, o editor da revista Household Words, na qual o romance foi apresentado ao público inglês, em 20 episódios semanais, de 1854 a 1855. Não que Dickens, a velha raposa literária, não tivesse bom faro para títulos: lógico que ele tinha. Entretanto, a obra mais conhecida de Gaskell não retrata apenas essa diferença entre o idílico sul inglês – representado pela vila de Helstone, no qual as famílias aristocratas residiam – com o árduo norte, representado pelo trabalho duro, na forma de Manchester (chamado no livro de Milton), a cidade em que a autora se mudou quando se casou.

O livro traz as aspirações da filha de um pároco anglicano do interior que, após viver em Londres e ser educada pela sua tia, Mrs. Shaw, sonha em retornar ao lar, local de lindas lembranças e precoce nostalgia. Mas, quando chega a hora do regresso, Margaret é tomada por uma surpresa: o pai estava na eminência de abandonar o celibato por questões de consciência. Essa “questão de consciência” não fica clara no livro, mas supomos que seja o mesmo que ocorreu com o próprio pai da autora. Questões conflituosas ligadas aos cânones da igreja Anglicana. Por causa desse desligamento do anglicanismo (e não da fé, como Mr. Hale frisa), a família tinha que sair do presbitério, casa onde os Hales sempre tinham residido, em Helstone; mudar de profissão àquela altura da vida; e buscar o próprio sustento sem a proteção da igreja. Lembrando que um pároco, um clérigo anglicano, geralmente era o segundo filho de uma família inglesa de nobres ou aristocratas. O título e as posses ficavam com o primogênito, e o segundo filho deveria ganhar seu sustento. O normal era se tornar pároco, ou um militar graduado (comprava-se uma patente). Os clérigos eram homens cultos e, portanto, geralmente se casavam com uma dama de família rica. A família da mãe de Margaret era uma família aristocrata. Mas, pela filha ter escolhido se casar com o “pobre” homem da fé, a família a tinha criticado.

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Margaret, então, se depara com essa mudança drástica de vida, pois a família se mudou do Sul para o Norte, onde o pai foi tentar ganhar a vida como professor, uma posição muito aquém do que a mãe de Margaret estava habituada, sem o glamour, pois ser pároco tinha seu prestígio. Todo esse sofrimento leva Mrs. Hale a um estado depressivo e ela adoece gravemente.

Neste contexto entra na história, Mr. Thornton, um rico industrial de Milton e o pupilo (aluno) preferido de Mr. Hale. Enquanto John Thornton, com a ajuda de seu mestre, descobre os meandros dos clássicos e o conhecimento que vem com a leitura de Platão e outros filósofos pensadores, o industrial se dobra de paixão pela moça do Sul. Entretanto, a mente de Margaret ainda está presa às lamentações do que havia deixado para trás; à doçura do idílio sul, à doença da mãe, aos problemas da casa, testemunhando um mundo duro e brutal, forjado pela revolução industrial de Milton, com suas fábricas soltando fumaça e deixando o ar lúgubre. Chocada com tantas diferenças, pois em Londres eles viviam em meio à aristocracia, ela ainda não tinha se despertado para o amor. Lembrando que Mr. Thornton era bem mais velho que ela. No livro Margaret é ainda uma jovenzinha de cerca de 18 anos. Thornton, entretanto, é um homem vivido, embora ainda jovem, ele havia tido uma infância triste, em que o pai falido colocara sua família numa situação terrível, uma tragédia mesmo, e ele, com a ajuda de sua mãe, a rígida e forte Mrs. Thornton, havia superado e erguido um império. Margaret não: era ainda uma jovenzinha que dava início à sua jornada na vida; tinha muito o que aprender, sofrer, pois o sofrimento ‘desenvolve’ as pessoas, tornando-as melhores. Gaskell sabia disso e na obra ela traça esse caminho. No início Margaret era, em minha opinião, uma pessoa, embora boa, rasa. Era cheia de preconceitos, a cara da aristocracia inglesa vitoriana, que achava que o trabalho não enobrecia.

Mas, à medida que ela começa a descobrir Milton, seus habitantes, o funcionamento das fábricas e as relações entre patrões e operários, ela se deixa envolver pela cidade e nos seus olhos já não há mais o filtro do preconceito. Margaret faz amizade com Bessy, a filha de Nichols, representante do sindicato local, e com esta amizade passa a conviver com os operários dos moinhos e descobre como são suas vidas. E conhecendo esse mundo de miséria, fome e sofrimento, e ouvindo as conversas de Thornton com seu pai (visão dos industriais locais), aguça seu interesse por entender a relação patrão empregado, a economia e o porquê do pouco caso dos industriais para com seus empregados. Numa arriscada ousadia, ela coloca Mr. Thornton em perigo e, ao defendê-lo, é agredida por grevistas furiosos.

Em pleno século XIX, Elizabeth Gaskell já sabia que a busca do amor nem sempre leva a um caminho reto; às vezes é tão tortuoso como os melindres da mente mais errante; que o amado tem a desfaçatez de depreciar quem o ama, e apenas se descobre amando quando já não há mais a quem se amar. Foi assim em Margaret Hale. Quando ela acreditou que havia decepcionado John Thornton, que ele a julgava mal por um mal-entendido ligado ao um irmão foragido na Espanha, segredo que ela não podia contar, ela se despertou para o amor. Entretanto, já era um pouco tarde.

À busca de Margaret pelo amor de Thornton, ou o encontro da heroína sulista com o industrial do norte, é um lindo conto de amor.

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Como mencionei no início, Gaskell teria preferido chamar o romance de Margaret Hale, nome da heroína, como ela havia feito, em 1848, com Mary Barton, mas a vontade de Dickens prevaleceu, e ele foi lançado como Norte e Sul. Numa carta datada de 26 de julho de 1854, Dickens disse a ela que o título Norte Sul parecia melhor. Quando trabalhava nos capítulos finais do romance, na casa da família perto de Matlock, em Derbyshire, ela escreveu que ela preferia chamar seu romance ‘Death and Variations’, porque na obra havia cinco mortos, cada uma maravilhosamente coerente com a personalidade do indivíduo“. Esta observação, provavelmente uma piada, enfatiza o papel importante da morte no desenrolar da história. A morte de Mrs. Hale afeta Margaret profundamente e, gradualmente, a encoraja à independência, permitindo a Gaskell analisar as profundas emoções de sua personagem feminina e concentrar-se na dureza do sistema social através das demais mortes. Loreau e Mrs. H. de Lespine, com a autorização da autora, traduziu a obra para o francês, depois da edição revisada, e a publicou em Paris pela Hachette, em 1859, sob o título de Marguerite Hale (Nord et Sud). A Pedrazul, numa tradução de Gabriela Alcoforado, também optou pelo título original, Margareth Hale, como a edição francesa. Entretanto, para agradar aos leitores, fez uma edição com duas capas.

Este romance sempre será um dos meus favoritos, junto com Esposas e Filhas, também da autora! Um livro cinco estrelas!

Tradução de Gabriela Alcoforado.

Resenha de Chirlei Wandekoken.
Colaboração de Marcia Belloube.

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Veja mais obras de Elizabeth Gaskell já lançadas pela Pedrazul Editora:
Esposas e Filhas
Cranford
O Chalé de Moorland e Lizzie Leigh
O Chalé de Moorland (eBook)
Lizzie Leigh (eBook)

Veja também a continuação de Norte e Sul escrita por Trudy Brasure:
Um Coração Para Milton
Um Coração Para Milton (eBook)

O Chalé de Moorland – Elizabeth Gaskell

O Chalé de Moorland de Elizabeth Gaskell

Lançando originalmente, em 1850, como Moorland Cottage, o livro narra a história dos irmãos Maggie e Edward Browne, completamente diferentes entre si: Maggie é doce e boa; Edward é egoísta e mau. Filhos do falecido pároco de Combehurst, os irmãos moram com a mãe numa casa na charneca inglesa que dá título à obra. A gentil Maggie é extremamente devotada a Edward, que é arrogante e a subjuga. Protegido pela mãe, Edward a explora e cresce um rapaz com valores distorcidos.  Ainda assim sua mãe o prefere a Maggie.

O Chalé de Moorland, que foi lançado em 1850, me lembrou muito The Mill on The Floss, lançado em 1860, por George Eliot, embora The Mill on The Floss seja um livro autobiográfico de Mary Ann Evans (George Eliot), inspirado na relação da autora com seu irmão Isaque. O que comprova que a vida, de fato, imita a arte. Mas os livros têm enredos muito similares.  Até as personagens têm o mesmo nome, a de Gaskell é Maggie Browne, e a de Eliot, Maggie Tulliver.

Moorland - Gaskell

Bem, a nossa Maggie Browne vive com seu irmão, Edward; com uma empregada chamada, Nancy, uma mulher doce e sensata, que é como uma mãe para Maggie. A mãe de Maggie é ausente, uma matrona de coração frio, que, após a morte do marido, adotou para sempre o luto.

Certa vez a família Browne é convidada para passar o dia na casa do aristocrata Mr. Buxton, pois este fora amigo do pai de Maggie no passado. Mr. Buxton é casado com uma inválida, Mrs. Buxton, que se afeiçoa imediatamente a Maggie. Seu filho, Frank e a sobrinha Erminia, também logo se tornam amigos da subjugada Maggie. Mas Maggie, embora pobre e tímida, é bonita e inteligente, e logo desperta a atenção de Frank, que se apaixona por ela e ela por ele. Entretanto, Mr. Buxton espera que Frank se case com a herdeira Erminia e isso vai gerar um problema na trama.

Edward se torna advogado com a ajuda de Mr. Buxton, pois este, por motivo não esclarecido pela autora, se sentia meio responsável pela família. Logo Edward começou a cuidar de toda fortuna do cavalheiro, que tinha total confiança em seu jovem advogado e pupilo.

Mrs. Gaskell Quote

Após a morte de Mrs. Buxton, Frank pede Maggie em casamento, mas Edward rouba Mr. Buxton, tornando essa união impossível. Com a fuga de Edward para os Estados Unidos, Maggie é envolvida, e somente Frank pode salvá-la.

Na edição de O Chalé de Moorland da Pedrazul, há um plus de outra pequena história de Elizabeth Gaskell: Lizzie Leigh. Um conto comovente sobre o amor ilícito e suas repercussões. A história de uma jovem garota chamada Lizzie que comete um pecado. Gaskell brilhantemente retrata as relações profundas e verdadeiras de uma família.

Tradução de Andrea Carvalho. A mesma tradutora de O Diário de Mr. Darcy, de Amanda Grange, e de A Pequena Dorrit, de Charles Dickens.

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Veja mais obras de Elizabeth Gaskell já lançadas pela Pedrazul Editora:
Cranford
Esposas e Filhas
Margaret Hale / Norte e Sul
Lizzie Leigh (eBook)

Veja também a continuação de Norte e Sul escrita por Trudy Brasure:
Um Coração Para Milton
Um Coração Para Milton (eBook)

Cranford – Elizabeth Gaskell

Cranford de Gaskell

Cranford é um romance que foi inspirado na cidadezinha que a autora passou a sua infância: Knutsford, em Cheshire, Inglaterra, onde Elizabeth Gaskell viveu com sua tia Hannah Lumb após a morte de sua mãe. É considerada uma obra autobiográfica.

Narrado em primeira pessoa por Miss Mary Smith, uma ex-moradora de Cranford, que volta à cidade para visitar seus amigos, portanto, ela tem uma visão abrangente do lugarejo, que é dominado por solteironas aristocratas, cuja monotonia é quebrada pela chegada de um novo morador. As Misses Matty e Deborah, duas irmãs solteironas de meia-idade, são as personagens principais. Elas são pobres, embora de família aristocrata, e se esforçam para viver com dignidade e jamais falam em dinheiro.

Com suas regras próprias, algumas hilárias, hábitos antiquados, onde ninguém está imune aos mexericos, Cranford é uma delícia de lugar!

Cranford de Gaskell

Publicado pela primeira vez de 1851 a 1853, em Londres, de forma seriada, como eram feitas as publicações no século XIX, a obra traz, basicamente, o cotidiano das mulheres solteironas e viúvas. De forma alguma pense que, pelo estado civil delas, fossem tristes, moribundas ou enfermiças,  muito pelo contrário. Miss Jenkyns e sua irmã Miss Matty Jenkyns, Miss Pole, Mrs. Jamieson, Mrs. Fitz-Adam e Mrs. Forrester eram muito felizes, saudáveis e otimistas, embora pequenas tragédias acometessem-nas de vez em quando, como o desaparecimento de Peter, o irmão das Misses Jenkyns, que foi para a Índia e nunca mais voltou ou deu notícia. Fato inspirado no irmão da própria autora.

Quando o capitão Brown e suas filhas, as Misses Brown e Jessie chegam a Cranford, a monotonia do lugar é quebrada e logo a família se torna o centro das conversações em todas as casas. Até porque um homem em Cranford era raridade! A família do capitão Brown trouxe vida nova à cidade, novos amores, uma energia calorosa e afetiva que foi capitada até pela solteirona Miss Matty, ou Matilda, que, por ironia do destino, volta ao tempo e tenta resgatar um amor do passado com Mr. Hollbook. Cranford é o tipo de romance que foge do comum: heroínas jovens, heróis à flor da idade, se vê o tempo todo por aí. Entretanto, em Cranford, é possível ser feliz quando se já passou na mocidade; quando muitos invernos batem à porta, e isso eu achei muito interessante. Em Cranford, mulheres e homens maduros encontram formas simples de seres felizes; se amam, se casam, se reinventam após uma falência, enfim, há vida após os 40 anos. Lógico, em Cranford os jovens também se amam e se casam, mas o foco não são os jovens!

É também uma cidade que inventou sua própria moda, seu estilo de vida, não importando se o guarda-chuva vermelho está fora de moda em Londres, ou se o vestido era do século passado, bastasse que a touca ou o chapéu estivessem na moda, e tudo estaria muito bem!

Cranford é uma obra que vai te fazer rir, chorar e aspirar por um futuro à sombra de uma árvore qualquer, com uma xícara de chá à mão. Lá uma vaca pode usar uma roupa, uma meia pode ser engolida por uma gata e voltar ao vestido da matrona.

Cranford02

Nesta novela encantadora, Gaskell enreda o leitor com uma narrativa gostosa, irônica, bem ao estilo Jane Austen. Seus personagens, essencialmente carismáticos, quase instantaneamente, irão transportá-lo para a atmosfera bucólica de uma típica cidadezinha interiorana inglesa do século XIX, ouvido o repicar do sino da igrejinha, assistindo uma matinê de um mágico qualquer, tomando chá, ou simplesmente cochilando em frente à lareira. Por que não? E a vida segue feliz! Muito feliz! Pois a felicidade está na simplicidade! Cranford é a prova disso!

A edição da Pedrazul foi traduzida por Silvia M. C. Rezende e é ilustrada originalmente por Hugh Thomson.

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Esposas e Filhas
Margaret Hale / Norte e Sul
O Chalé de Moorland e Lizzie Leigh
O Chalé de Moorland (eBook)
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Um Coração Para Milton
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Esposas e Filhas – Elizabeth Gaskell

Gaskell

“A obra-prima de uma vida”
Por Enza Said.

Esposas e Filhas foi o último romance de Elizabeth Gaskell; obra cujo último capítulo jamais foi conhecido devido à morte precoce da escritora inglesa. De todo modo, os destinos dos personagens já haviam sido definidos pouco antes de forma que não ficou difícil de imaginar o belo desfecho jamais escrito pela mão habilidosa de Mrs. Gaskell, com seu jeito único e afetuoso de trazer cenas mais comoventes à vida.

O editor da revista Cornhill, na qual o romance era publicado em série, adicionou seus comentários acerca das intenções reveladas por antecedência pela própria Gaskell para o último capítulo do que seria, segundo ele, “a obra-prima de uma vida” e que acabou se tornando um “memorial da morte”. Eu acredito que Esposas e Filhas foi a obra-prima de uma vida. Trata-se de um romance tão grandioso, embora singelo e despretensioso; tão ousado e, no entanto, prosaico e, aparentemente, simples…

Elizabeth Gaskell
Aliás, é na simplicidade (e, por que não, ingenuidade) da protagonista Molly Gibson que Elizabeth Gaskell conquista o leitor mais uma vez e o apresenta a uma série de figuras pitorescas – ou nem tanto – do interior da Inglaterra vitoriana em que vivia e conhecia tão bem. É verdade, Esposas e Filhas é ambientado na cidade interiorana de Hollingford onde Molly e seu pai viúvo vivem. Ele é o médico das famílias que habitam naquelas áreas e, em virtude da profissão, também possuía relações com as famílias da alta sociedade do lugar, incluindo os nobres Lord e Lady Cumnor e o tradicional fazendeiro Hamley e sua esposa.

A história começa com uma pequena Molly visitando Towers, a grande propriedade de Lord e Lady Cumnor, onde a ex-governanta das filhas do conde acabou negligenciando-a e se “esquecendo” de enviá-la de volta para casa. Mas seu pai a reencontra e tudo acaba bem. Anos mais tarde, Mr. Gibson estava incomodado com as atenções que um de seus pupilos estava dedicando à sua jovem e ingênua filha e a enviou para passar uns dias com a esposa do fazendeiro Hamley, que desejava há tempos conhecer a filha de seu médico.

Molly logo encantou e se afeiçoou profundamente aos Hamleys e, aproveitando sua distância, Mr. Gibson decidiu que precisava arrumar uma nova mãe para instruir, proteger e guiar Molly nessa nova fase de sua vida. Ele logo elegeu aquela que a havia negligenciado anos antes, a ex-governanta das filhas de Lord e Lady Cumnor: Mrs. Kirkpatrick.

Assim que recebeu a notícia, Molly se entristeceu bastante e não conseguiu evitar um choro de desespero e da dor do reconhecimento de que tudo seria diferente dali para frente com seu pai e sua nova esposa. É neste estado de angústia que Roger Hamley – o filho mais novo e menos brilhante do fazendeiro – encontrou-a. O rapaz, contudo, não tardou em se compadecer e consolar a mocinha. Esse foi um dos meus momentos favoritos no livro, foi tão doce e tão puro, inocente e genuíno do jeito que só Gaskell poderia escrever.

“Ela nunca tinha dito a ele uma sentença tão longa. Ao dizê-la, embora ela não tirasse os olhos dele, pois estavam olhando fixamente um para o outro, ela corou um pouco sem saber por quê. Nem ele sabia explicar por que um prazer repentino tomou conta dele, enquanto olhava para o rosto simples e expressivo dela. Por um momento, ele perdeu a noção do que ela estava dizendo por sentir pena dela, por sua tristeza. No momento seguinte, ele já era ele mesmo de novo. Sentiu-se como se fosse o jovem mais sábio de vinte e poucos anos a aconselhar uma menina de dezessete.”

O casamento de Mr. Gibsom com Mrs. Kirkpatrick não tardou a acontecer e, após ele, toda a sorte de eventos inimagináveis para Molly há menos de um ano se sucederam: a filha de Mrs. Kirkpatrick, Cynthia, chega e se torna uma irmã para ela, junto com seus inúmeros pretendentes; a descoberta de segredos acerca do primogênito dos Hamleys, Osborne; uma amizade da nobreza; escândalos envolvendo um administrador de propriedade de moral duvidosa; traições e mais uma série de acontecimentos tão cativantes e bem escritos que tornam, de fato, Esposas e Filhas uma obra-prima.

Gaskell
Como disse o próprio editor da Cornhill Magazine, “[…] o leitor sente-se preso num mundo perverso e abominável, rastejando no egoísmo e fedendo a paixões vulgares, no qual há muita fraqueza, muitos erros, sofrimentos longos e amargos, mas onde é possível que as pessoas levem vidas calmas e saudáveis e, o que é mais importante, que sintam que este mundo é tão real como o outro. As páginas irradiam este espírito amável que nunca deseja o mal e, enquanto as lemos, respiramos a inteligência pura que prefere lidar com as emoções e paixões que têm uma raiz viva na mente, dentro dos limites da salvação, e não naquelas que apodreceram sem elas. Este espírito é mais declarado especialmente em Prima Phillis (também lançamento da Pedrazul) e Esposas e Filhas, as últimas obras da autora. Elas parecem mostrar que para ela o fim da vida não é descer os torrões do vale, mas subir para o ar puro das montanhas que ascendem ao céu”.

Eu não poderia discordar ou dizer melhor. Apaixonei-me por Esposas e Filhas desde a primeira página e me irritei muito com as manias afetadas e a hipocrisia da nova esposa de Mr. Gibson, embora tenha compreendido e sentido pena deste seu jeito intolerável quando o final do livro se aproximou. Quanto a Molly e Roger, só poderia dizer que eles ocupam um espaço muito querido no meu coração e até agora não consigo parar de suspirar ao me lembrar da doçura e humildade de uma e da gentileza e do cavalheirismo (a seu modo) do outro. Mas se tem um personagem que me conquistou neste livro foi Mr. Hamley, o irascível fazendeiro que tinha um coração enorme. Desde o início eu percebi como ele se importava com os filhos, como ele queria dar a eles tudo o que ele não pôde ter e que internamente se repreendia e julgava por não ter tido, como ele era carinhoso com a esposa, admirava-a, e como havia sido tão gentil e acolhedor para Molly. Apesar do seu jeito meio bruto de um proprietário de terras pouco instruído, ele era uma pessoa essencialmente humilde, embora possuísse algumas poucas razões para se orgulhar e nas quais depositar toda a sua vaidade. Acredito que, por essas e outras razões que fogem até mesmo à minha compreensão no momento, ele tenha sido o personagem a quem mais me apeguei, apesar de ter gostado muito das solteironas Miss Brownings e sua irmã Miss Phoebe, a própria Mrs. Hamley, Mr. Gibson, Roger e Molly também.

Gaskell realmente tinha um dom de retratar a sociedade da época e de criar personagens cativantes, bons e verdadeiros, apesar de suas falhas, não me admira que tenha sido tão estimada em seu tempo e seja até hoje, eu mesma não pude evitar e reconhecer que, após esta linda obra, ela figura entre as minhas autoras favoritas.

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Esposas e Filhas é um livro adorável, melancólico em certos momentos, porém certamente divertido em sua maior parte e de uma beleza singela que encanta qualquer tipo de leitor, por isso, recomendo bastante.

“É correto esperar o melhor de todos e não o pior. Parece que é evidente, mas isso tem me servido até agora, e algum dia será útil. Devemos sempre tentar pensar mais nos outros do que em nós mesmos, e é melhor não pré-julgar as pessoas pelo seu lado ruim.”

Tradução: Ellen Bussaglia.
Ilustrações: George Du Maurier
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Cranford
Margaret Hale / Norte e Sul
O Chalé de Moorland e Lizzie Leigh
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Lizzie Leigh (eBook)

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