A TRADIÇÃO DO CHÁ DAS CINCO

Por Maria Aparecida Mello Fontes, tradutora da Pedrazul

O costume de tomar chá viajou de Portugal para a Inglaterra quando as duas famílias reais se uniram através do casamento entre Charles II e Catarina de Bragança. A jovem noiva, além do enxoval, também levou para o seu novo lar algumas folhas de chá. À noite, quando estavam sozinhos no quarto, Catarina adicionava às folhas um pouco de água fervendo e servia para o marido. No dia seguinte, pela manhã, os criados reaproveitavam as folhas usadas na véspera e também consumiam a bebida. Com o passar do tempo, a moda se espalhou pela corte.

Naquela época, os homens costumavam sair de casa logo depois do almoço para visitar os mercados ou mesmo para vender seus produtos e só retornavam no final do dia. As mulheres tinham de esperar pelos maridos para servir o jantar, mas sentiam muita fome nesse meio tempo.  Dizem que a Duquesa Anna de Bedford sentia tanta fome entre as duas refeições que determinou aos seus criados que lhe servissem uma xícara de chá com alguma sobra do almoço, um pouco de carne ou legumes, lá pelas cinco horas da tarde. O resultado foi tão satisfatório que ela passou a convidar algumas amigas para tomarem o chá da tarde juntas. Pronto! Estava criada a tradição do chá das cinco.

A própria Rainha Vitória aprovou a nova mania e introduziu um tom de classe ao evento. As mulheres passaram a se vestir de maneira mais formal e os salgados foram substituídos por bolos, doces, geléias, scones (uma delícia) e outros tipos de pãezinhos.

O costume atravessou a era da regência, vitoriana, eduardiana e chegou até os dias de hoje, sendo adotado por toda a população.

Uma delícia, não? Mas o chá na Inglaterra é servido com leite. Eu gostei muito da mistura. Conseguem ver os torrões de açúcar no pote? E o pegador? Um charme. Mas cadê o Mr. Darcy?

Nesta foto, Maria Aparecida Mello Fontes, está no The Jane Austen Centre, in Bath. E o chá que ela está tomando é o “Tea with Mr. Darcy”. Este é um autêntico chá do período da regência, com bolos, doces e sanduíches (de pepino, favorito de Sua Majestade, a Rainha Elizabeth II).

 

 

Cambridge, citado dezenas de vezes em livros clássicos!

Um lugar verdadeiramente idílico para explorar!

Imagens de Jefferson Melo.

Você já deve ter lido em alguma de nossas obras que alguém estudou em Cambridge, normalmente os nobres e os filhos dos ricos aristocratas ingleses. Em Esposas e Filhas, de Elizabeth Gaskell, tradução de Ellen Bussaglia, o mocinho Roger Hamley, não só estudou em Cambridge no século XIX, como se tornou um wrangler sênior, uma distinção em matemática dada pela instituição somente aos melhores alunos. Roger Hamley também se tornou um Fellowship, um tipo de bolsista da instituição, levando-o não somente a receber uma renda mensal, como possibilitou a sua ida à África. Em breve postaremos uma matéria sobre Roger e a África e um vídeo, direto da África, sobre o mesmo tema no canal da editora no Youtube.

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A Universidade de Cambridge, que é dividida em 31 faculdades com arquiteturas deslumbrantes, cuja mais famosa é a Kings College, com a sua capela gótica, é ainda a cidade aonde vão os estudantes não só londrinos, mas do mundo todo. “Entretanto, não basta ter só dinheiro e título como antigamente, agora para entrar em uma dessas universidades tem que ter nota”, ressaltou nosso correspondente londrino, Jefferson Melo.

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Às margens do rio Cam, Cambridge é um lugar verdadeiramente idílico para explorar. Uma das universidades mais antigas do mundo, o prédio de 1871, da All Saints Church, com seu estilo gótico, seus jardins famosos recebeu neles John Milton (1608- 1674), de Paraíso Perdido. Ao contrário de Oxford, sua tradicional rival, Cambridge foi muito pouco atingida pela industrialização, mantendo a atmosfera de cidade universitária em toda a sua pureza. A vida da cidade, praticamente, limita-se às atividades direta ou indiretamente ligadas à população estudantil, quase se despovoando nos períodos de férias escolares.

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Com os colégios recobertos de vegetação alinhados ao longo do rio, os verdes gramados e campos de esporte, a par da riqueza de sua arquitetura, Cambridge é uma cidade extremamente bela. As noites são perfeitas, com seus pubs tradicionais e restaurantes contemporâneos.

Fica somente a uma hora de carro de Londres e 50 minutos de trem da Liverpool Street Station.

Texto de Chirlei Wandekoken.
Imagens de Jefferson Melo.