O tradutor é o artista na retaguarda do autor!

Andrea Carvalho, tradutora de O Chalé de Moorland e Lizzie Leigh, de Elizabeth Gaskell, publicados em um único volume, e O Diário de Mr. Darcy, de Amanda Grange, e, em andamento, para lançamento no início de 2017, A Pequena Dorrit, de Charles Dickens, fala-nos do prazer indescritível de concluir uma tradução e das especificidades de um bom tradutor. “O tradutor é um coautor da obra, ele precisa ter uma veia artística”. A entrevista completa você confere aqui e, em vídeo, no canal Pedrazul no Youtube.

“Traduzir a Pequena Dorrit está sendo um grande prazer, pois Charles Dickens traz o que mais me seduz na literatura, que é a linguagem enquanto arte.”

Blog Pedrazul: O que o profissional tem que ter para ser um bom tradutor?

Andrea: A tradução é um trabalho bastante minucioso e o tradutor precisa realmente gostar do que faz, além de todo o cuidado com a linguagem, respeitando a textura do original, é necessário todo um trabalho de pesquisa em torno do contexto da obra e das referências trazidas pelo autor. A pessoa que trabalha com tradução literária precisa gostar realmente de literatura e precisa ter prazer em trabalhar com a linguagem; caso contrário, é impossível conseguir um bom resultado. O tradutor de uma obra é um coautor, ele precisa ter uma veia artística. Se você gosta de literatura e traduz uma obra com carinho e dedicação, o prazer quando conclui o trabalho é indescritível.

Blog Pedrazul: E como foi traduzir as obras de Elizabeth Gaskell?

Andrea: O Chalé de Moorland e o Lizzie Leigh são dois livros carregados de emoção, são obras que quando você lê fica óbvio que a autora é uma mulher. Chorei muito durante a tradução, as histórias tocam o leitor de uma maneira muito especial. Gaskell tem uma delicadeza na linguagem que eu precisei tomar muito cuidado para manter. E ela faz citações como, por exemplo, de poemas de autores clássicos como Shakespeare e outros é um trabalho à parte traduzi-los, além de textos similares que muitas vezes aparecem no meio da obra. Mas é uma autora espetacular e foi uma honra para mim traduzir duas de suas obras-primas.

Capa o chalé de moorland

Blog Pedrazul: Fale-nos do processo de tradução de O Diário de Mr. Darcy, de Amanda Grange?

Andrea: O Diário de Mr. Darcy traz a versão subjetiva de um dos personagens centrais do romance clássico Orgulho e Preconceito, de Jane Austen. Assim como o clássico, a obra de Amanda Grange tem todo o charme típico dos romances da era georgiana. Foi uma tradução bastante tranquila e agradável, pois você se envolve com a história, fica querendo saber o que vai acontecer em seguida, torce pelos personagens, portanto, foi um trabalho realmente muito agradável e o livro é maravilhoso. Com certeza todo fã de Austen vai amar ler a continuação de Amanda Grange.

Capa O Diário de Mr. Darcy

Blog Pedrazul: Você aceitou um desafio e tanto, que foi traduzir Charles Dickens, conhecido por suas frases longas e estilo único. Como está a tradução de A Pequena Dorrit?

Andrea: Dickens era sem dúvida um gênio! A Pequena Dorrit é de longe o trabalho mais difícil da minha carreira como tradutora. Charles Dickens era um gênio da literatura, extremamente inteligente, crítico, e de uma sensibilidade humana e artística assustadora. A maior dificuldade desse trabalho não é apenas lidar com o vocabulário e as estruturas de complexidade absurda, mas é também respeitar o jogo poético da linguagem, sem mencionar as inúmeras referências. Traduzir A Pequena Dorrit está sendo um grande prazer, pois Charles Dickens traz o que mais me seduz na literatura, que é a linguagem enquanto arte.

capa_pequena_dorrit

“A pessoa que trabalha com tradução literária precisa gostar realmente de literatura!”