Os Mistérios de Udolpho – Ann Radcliffe

Udolfo de Ann Radcliffe

Publicado em 1794, foi o quarto romance de Radcliffe. Considerado gótico por excelência, com seu castelo assombrado, uma atmosfera carregada de terror psicológico e recheada de eventos sobrenaturais.

Emily St. Aubert vive com seus pais na França, cercada pela natureza e pela segurança de uma família feliz, no idílico castelo de La Valée. Porém, uma doença fatal acomete sua mãe e ela morre. Ela e Monsieur St. Aubert viajam pelo sul da França à procura de paz e consolo, onde conhecem Valancourt, um cavalheiro honrado, irmão de um conde, que ganha a amizade de seu pai e o amor da jovem. Pouco tempo depois, Monsieur St. Aubert também morre deixando-a totalmente sozinha no mundo, à mercê de Madame Cheron, sua tia frívola e gananciosa.  Antes de morrer, porém, o pai a faz prometer que queimaria uns papéis que se encontravam muito bem escondidos em La Valée e que, possivelmente, tinham alguma ligação com a relação obscura de St. Aubert com a falecida marquesa de Villeroi.

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Ilustração do Volume I.

Madame Cheron casa-se com o criminoso italiano  Montoni, pois em sua ganância achava que ele fosse um rico nobre europeu, e este, que passa a ser tutor legal de Emily, proíbe seu casamento com Valancourt, pois espera fazer melhor negócio com ela, casando-a com um nobre italiano, o Conde Morano, cujas conexões muito o interessavam.

Montoni, dessa forma, as obriga a ir com ele para a Itália em direção ao intrigante e macabro Castelo de Udolpho, local sombrio e misterioso onde Emily fica encarcerada, sofrendo terrores sobrenaturais, maquinações e toda sorte de investidas de cavalheiros suspeitos com os quais  Montoni se relacionava. Separado de Emily, Valancourt, vai para a guerra e, ingênuo, é levado por amigos a se envolver com jogos e mulheres, em Paris.  O honrado cavalheiro que ela conheceu em uma viagem para a Suíça, agora não é mais puro e não tem mais esperanças de casar-se com ela.

Indícios da misteriosa relação entre o pai da órfã e a Marquesa de Villeroi estão cada vez mais fortes e há alguma ligação com o soturno Castelo de Udolpho. Madame Cheron – agora Madame Montoni – é chantageada por seu marido que deseja roubar sua herança – aquela que um dia será de Emily. Como ela se nega terminantemente a assinar os papéis que seriam a sua ruína, e de sua sobrinha, ela é trancada na parte leste do castelo sem comida e água e Emily não sabe se sua tia ainda está viva ou morta.

Quando Emily consegue escapar do sinistro castelo de Udolpho, com a ajuda da ama Annette, e de Ludovico, a amor de Annette, seu barco naufraga no litoral francês, e ela é resgatada pelo Conde de Villefort e conhece Lady Blanche, a filha do nobre que herdou a propriedade do Marquês de Villeroi, situada perto do monastério de Santa Clara, em Languedoc, na França. Através dele, Emily toma conhecimento de segredos envolvendo Valancourt.

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Ilustração do Volume II.

No também assombrado Chateau-le-Blanc, Emily percebe a assustadora semelhança entre ela própria e a Marquesa de Villeroi, o que a leva a desconfiar de uma estreita ligação entre seu pai e a misteriosa Lady.
Documentos, que Monsieur St. Aubert havia mandado queimar, poderiam revelar o passado da marquesa e de Lady Laurentini, aquela que tanto havia impressionado Emily pelo seu misterioso desaparecimento de Udolpho; a aparição sob o véu negro, segredos guardados há anos. Em meio a tudo isso, a volta de Valancourt e o retorno a La Valée.

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O livro é nostálgico, embora com trechos de terror, não me atemorizou, pois os terrores não eram sobrenaturais. Prende o leitor que quer saber o porquê de cada segredo e há muitos. Emily não era fraca e desmaiava o tempo todo, como era comum às heroínas daquela época, na verdade ela era muito forte. Quando Annette, a sua ama, ficava desesperada por causa dos terrores, ela mantinha a calma. Valancourt é o protótipo do Lord: educado, inteligente e cavalheiro. Impossível não se apaixonar por ele. O livro traz muitos personagens secundários incríveis. Trata-se de uma obra imensa, cheia de reviravoltas, com personagens complexos, densos, leves, profundos, engraçados e intricados: um deles, com certeza, vai te cativar. Eu amei a Annette, a ama de Emily. Ela rouba a cena em diversos trechos. Até Ludovico, outro serviçal, tem sua quota de importância.  Radcliffe deve ter levado muito tempo para compor Os Mistérios de Udolpho, pois é uma obra muito bem pensada!

Citado por Jane Austen, em A Abadia de Northanger, Os Mistérios de Udolpho obteve sucesso junto ao público e à crítica, e Ann Radcliffe foi louvada como a rainha do romance gótico e uma pioneira do movimento romântico.

ilustração de Os Mistérios de Udolpho

A edição da Pedrazul possui dois volumes. Trata-se de um romance envolvente, com muitas paisagens descritas detalhadamente pela autora, uma viagem pela Europa, passando pelos Pireneus, uma cordilheira no sudoeste da Europa, cujos montes formam uma fronteira natural entre Espanha e França e estendem-se por aproximadamente 430 km. No livro, os personagens, Monsieur St. Aubert, Emily e Valancourt passam, em comitiva, nas localidades nos arredores dos Pirineus. O interessante é que Radcliffe nunca esteve em nenhum dos locais em que descreve com uma precisão em sua obra. Mas autora era apaixonada por revistas de viagens, bem popular na Inglaterra do século XVIII.

Emily St. Aubert também se hospeda em Toulouse, cidade medieval francesa, cortada pelo rio Garonne. Toulouse é chamada de cidade rosa, pois é quase toda construída com tijolos, cuja matéria-prima é extraída da argila do rio Garonne que corta a linda cidade. Até hoje ainda existem construções medievais, muitas delas citadas na obra de Radcliffe. Os edifícios mais característicos são as mansões que foram construídas por ricos comerciantes e nobres da cidade durante os séculos 16 e 17. Mais de 50 destes casarões ainda sobrevivem, como o  Hôtel d’ Assézat.

Languedoc  também é citado por Radcliffe como o local onde Emily St. Aubert conhece Lady Blanche, a filha do Conde de Villefort. Languedoc  é uma região ao Sul da França, que tem como limite também o rio Garona, que nasce nos Pirineus.

No volume II de sua obra, Radcliffe cita o Chateau-le-Blanc, um castelo mal-assombrado no qual Emily percebe a assustadora semelhança entre ela e a Marquesa de Villeroi. Atualmente, Chateau-le-Blanc é um castelo francês situado em Libourne, no sudoeste da França, grande produtor do vinho Bordeaux Saint-Émilion.

“Uma mente bem informada é a melhor garantia contra o contágio da loucura e do vício. A mente vazia está sempre pronta para o alívio, para mergulhar no erro e escapar da languidez e da preguiça. Armazená-la com ideias, ensiná-la o prazer de pensar, a livrará das tentações, que serão neutralizadas pelas gratificações derivadas do mundo interior”, trecho de Os Mistérios de Udopho.

Tradução de Bianca Costa Sales.
Resenha de Chirlei Wandekoken.

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