O Monge nos palcos da Era Vitoriana

O teatro era muito popular no século XIX. No início, as montagens eram predominantemente Shakespearianas. Com a crescente procura por esta forma de entretenimento, aos poucos, o melodrama foi perdendo espaço para a arte pictórica, cheia de detalhes, contendo cenas longas e mais complexas. Charles Kean destacou-se, no período, devido à sua paixão pela produção de peças com precisão histórica de fatos, datas e vestimentas. A Rainha Vitória e seu marido, Príncipe Albert, eram grandes admiradores da arte de Kean.

No final do século, o surgimento de máquinas e tecnologia sofisticada foi responsável pelos efeitos especiais de Ben Hur, por exemplo. Mais tarde, os temas passaram a ser mais cotidianos, incluindo a vida em sociedade, casamentos entre membros de classes sociais diferentes e também o preconceito com relação aos alpinistas sociais. A linguagem tornou-se mais próxima dos novos frequentadores do teatro e os atores não tinham mais de recitar suas falas. Esse tipo de atuação é chamado “cup and saucer drama”, ou novela “do pires e da xícara”, porque os atores chegavam até a fazer chá em cena.

É neste cenário que a ópera Raymond and Agnes (Ramón e Agnes) tem um grande destaque entre as demais. Ela é baseada em um episódio da obra de Matthew Gregory Lewis, O Monge, e conta a história de um amor verdadeiro que triunfa sobre um vilão, um encarceramento e, até mesmo, um fantasma. Composta por 4 atos e escrita pelo compositor Edward Loder, Raymond and Agnes estreou no dia 14 de agosto de 1855, no Royal Theatre, em Manchester, UK.

Para Adquirir a edição de O Monge, clique aqui:

Fontes:http://www.vam.ac.uk/content/articles/0-9/19th-century-theatre/
http://www.retrospectopera.org.uk/Raymond_and_Agnes.html

 

 

 

Tradutora de obra de Anne Brontë, Thomas Hardy e Louisa May Alcott conta sua experiência!

A tradutora de A Inquilina de Wildfell Hall, de Anne Brönte; O Retorno do Nativo, de Thomas Hardy e Os Oito Primos, de Louisa May Alcott, Michelle Gimenes, que há 15 anos trabalha com traduções técnicas, nos conta a sua experiência com tradução literária.

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“O bom tradutor é aquele que tem espírito aventureiro, no sentido de estar sempre disposto a pesquisar e aprender, de buscar o termo que melhor se encaixa, de saber lidar com nuances.”

 Blog Pedrazul: Qual a diferença de uma tradução técnica para a de um livro? 

Michelle: As dinâmicas são diferentes. Foi meio assustador ver o quanto eu demorava mais para traduzir os livros. Outra questão foram as referências e notas, decidir o que explicar o que deixar a cargo do leitor procurar. Achar o tom de cada autor também foi algo importante. Por exemplo, ‘A Inquilina’ tem uma carga dramática e psicológica maior; o Hardy tem uma tendência mais filosófica e naturalista, o que faz com que as descrições de paisagens sejam muito significativas e a atmosfera do cenário reflita no comportamento dos personagens. Já ‘Os Oito Primos’ é uma história juvenil, com um vocabulário mais simples e atmosfera divertida.

Blog Pedrazul: É importante gostar do que se traduz ou é indiferente?

Michelle: Acho que se o tradutor gostar do gênero literário da obra que está traduzindo vai ter mais facilidade, pois, provavelmente, já terá lido outros livros do gênero e estará habituado àquele ambiente, àquela época, etc. Mas não é essencial.

Blog Pedrazul: Em sua opinião, quais os aspectos positivos da profissão de tradutor e quais os negativos?

Michelle: Como toda profissão, a de tradutor tem aspectos bons e ruins. Para mim, é muito satisfatório servir de ponte para que mais pessoas leiam determinado livro ou conheçam novos autores. A maioria das histórias que li, ou que leram para mim quando criança, não foi escrita originalmente em português e eu só tive a felicidade de conhecê-las graças aos tradutores. Agradeço a todos eles. Traduzir é a minha forma de contribuir com esse rol de histórias universais. O bom tradutor é aquele que tem espírito aventureiro, no sentido de estar sempre disposto a pesquisar e aprender, de buscar o termo que melhor se encaixa, de saber lidar com nuances. Aliás, é justamente esse o conselho que dou a quem quiser seguir essa carreira: não parar nunca de se atualizar, ser curioso e ter disciplina, porque, embora seja um trabalho em que você tem que lidar com prazos, é bem livre para fazer os seus horários – o que acaba sendo um problema para algumas pessoas.

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Talvez se interesse pelos demais livros de Thomas Hardy: Tess dos D’Urvervilles, Longe Deste Insensato Mundo.
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“Foi o trabalho mais recompensador que já tive até hoje.”

Maria Aparecida Mello Fontes, tradutora de O Monge, de Matthew Gregory Lewis, lançamento da Pedrazul de fim de ano, e de Os Filhos da Abadia, da autora irlandesa Regina Maria Roche, lançamento previsto para 2017, fala da sua experiência como tradutora, dos encantos da profissão e de sua paixão pela literatura.

“A tradução parece que é um trato que a gente faz com o autor, de dar continuidade ao trabalho realizado em outros tempos, levá-lo para outros povos e não deixá-lo morrer.”

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Como foi traduzir O Monge? E como está sendo traduzir Os Filhos da Abadia?

Tradutora: Eu já havia trabalhado com algumas traduções técnicas e publicitárias, mas O Monge foi minha primeira tradução literária. A primeira sensação foi a responsabilidade de fazer um trabalho de qualidade, respeitando o texto original, mas proporcionando uma leitura atual e prazerosa. A linguagem de época requer muita pesquisa e, também, muita imaginação. Mais de uma vez eu me vi viajando no tempo, visitando os lugares descritos no livro e sentindo as emoções que os personagens sentiam. Por alguns meses da minha vida eu testemunhei as aventuras de Ambrósio e me surpreendi com o desfecho dos acontecimentos. Foi o trabalho mais recompensador que já tive até hoje.

Sabemos que a tradução de Os Filhos da Abadia (Oscar e Amanda) ainda não está concluída, mas como há muita expectativa sobre a obra. Pode falar um pouco sobre ela?

Tradutora: Como disse, ainda estou bem no início, na fase de me apaixonar pelos personagens, portanto, ainda não tenho uma opinião formada sobre a tradução deste livro. Mas, para os apaixonados pela obra, ressalto que estou amando. Embora a obra também seja classificada como literatura gótica, ainda não vi muitos elementos que comprovem o estilo, a não ser a abadia em si e um casamento secreto realizado à meia-noite em uma velha capela que esconde algumas sepulturas. Aliás, esse assunto despertou uma questão: será melhor ler todo o livro antes de traduzi-lo, ou ir traduzindo e se surpreendendo com os fatos que vão surgindo à medida que avançamos o trabalho? Como a obra é muito extensa (600 páginas), decidi já iniciar a tradução. Embora o primeiro capítulo narre o retorno de Amanda ao lugar onde cresceu, a história viaja no tempo para um passado no qual Oscar e Amanda ainda não eram nascidos e eu estou muito ansiosa para conhecê-los melhor e caminhar com eles entre os encontros e desencontros até o final, feliz, espero. Além disso, a descrição detalhada dos cenários e das características dos personagens é realmente cativante. O livro também faz muitas referências a um antigo poeta e as notas de rodapé deverão ajudar o leitor a compreendê-las.

Teve dificuldade para encontrar o estilo dos autores?

Tradutora: Não, no caso de O Monge eu fiz muita pesquisa sobre as críticas que a obra recebeu, sobre as críticas que o autor recebeu, qual foi a sua inspiração para escrever o livro e, assim, desde o início eu já sabia como seria o trabalho. Já a linguagem de Os Filhos da Abadia é mais fácil e a tradução flui melhor, mas há muitas interrupções para pesquisa, como foi mencionado no tópico acima.

 Em sua opinião, é importante para o tradutor gostar do gênero literário da obra que traduz?

Tradutora: Sim, acho fundamental. Embora eu tenha muito mais familiaridade com o século seguinte, principalmente a partir da rainha Vitória, mesmo assim estou adorando a oportunidade para obter mais conhecimentos sobre o período anterior. Adoro história e a tradução de obras de séculos passados me ajuda a compreender melhor alguns fatos e pessoas.

Teve alguma surpresa com a história durante a tradução? O que lhe encantou neste trabalho?

Tradutora: Muitas surpresas, a literatura gótica foge um pouco da tradicional e a mocinha, por exemplo, nem sempre é salva no último segundo. O final é esperado, mas surpreendente.

 Sabemos que a leitura de um livro pode mudar para sempre uma pessoa, a tradução de uma obra também?

Tradutora: Com certeza. Por exemplo, com O Monge eu descobri que adoro a estética gótica e os diálogos finais da obra de Matthew Gregory Lewis mudaram a minha maneira de ver a vida, de entender a fé. Espero que acrescente algo aos leitores também.

 Quais dicas daria para quem quer ser tradutor?

Tradutora: Dominar os idiomas, tanto o da fonte quanto o de destino. Ler muito, ser curioso, não ter preguiça de fazer pesquisas. Querer saber como as casas eram iluminadas no século XVIII é só um exemplo do trabalho de um tradutor literário. Eu considero o trabalho mais artístico do que técnico e a cultura do tradutor é a base para o sucesso da tradução.

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Em sua opinião, qual a maior gratificação de um tradutor?

Tradutora: Ver a obra terminada, mesmo se não tivesse meu nome, eu ficaria feliz. Parece que é um trato que a gente faz com o autor, de dar continuidade ao trabalho realizado em outros tempos, de levá-lo para outros povos, de não deixá-lo morrer. Mas ter o meu nome impresso na obra, também me faz feliz. Torna-me imortal.

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