Enquete sobre romance que deu origem ao filme A Lagoa Azul

A Pedrazul está sempre buscando oferecer o melhor conteúdo literário aos seus leitores. No entanto, nem sempre sabemos o quão viável seria a publicação de determinados títulos, por melhor e mais famosos que sejam. Você sabia que os filmes sobre A Lagoa Azul foram inspirados num romance de 1908, de Horace de Vere Stacpoole? Pedimos a sua opinião: se trouxéssemos uma edição especial do romance A Lagoa Azul, acompanhado de Primordial e Three Laws and the Golden Rule, dois contos que, para muitos, foram os percursores de A Lagoa Azul, todos numa única edição, você teria interesse? Vote sim ou não na enquete.

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Você prefere aspas ou travessões?

Caros leitores, a Pedrazul Editora mantém o uso das aspas nos diálogos, pois nos períodos em que os clássicos ingleses foram escritos, no caso das obras as quais publicamos,  séculos XVIII e XIX, o uso das aspas marcando os diálogos era o usual. Evitamos, ao máximo, intervir no texto original. Entretanto, estamos sempre empenhados a nos adaptar conforme o feedback de nossos leitores, portanto, vote e nos dê a sua opinião, pois ela é muito importante para nós!

A TRADIÇÃO DO CHÁ DAS CINCO

Por Maria Aparecida Mello Fontes, tradutora da Pedrazul

O costume de tomar chá viajou de Portugal para a Inglaterra quando as duas famílias reais se uniram através do casamento entre Charles II e Catarina de Bragança. A jovem noiva, além do enxoval, também levou para o seu novo lar algumas folhas de chá. À noite, quando estavam sozinhos no quarto, Catarina adicionava às folhas um pouco de água fervendo e servia para o marido. No dia seguinte, pela manhã, os criados reaproveitavam as folhas usadas na véspera e também consumiam a bebida. Com o passar do tempo, a moda se espalhou pela corte.

Naquela época, os homens costumavam sair de casa logo depois do almoço para visitar os mercados ou mesmo para vender seus produtos e só retornavam no final do dia. As mulheres tinham de esperar pelos maridos para servir o jantar, mas sentiam muita fome nesse meio tempo.  Dizem que a Duquesa Anna de Bedford sentia tanta fome entre as duas refeições que determinou aos seus criados que lhe servissem uma xícara de chá com alguma sobra do almoço, um pouco de carne ou legumes, lá pelas cinco horas da tarde. O resultado foi tão satisfatório que ela passou a convidar algumas amigas para tomarem o chá da tarde juntas. Pronto! Estava criada a tradição do chá das cinco.

A própria Rainha Vitória aprovou a nova mania e introduziu um tom de classe ao evento. As mulheres passaram a se vestir de maneira mais formal e os salgados foram substituídos por bolos, doces, geléias, scones (uma delícia) e outros tipos de pãezinhos.

O costume atravessou a era da regência, vitoriana, eduardiana e chegou até os dias de hoje, sendo adotado por toda a população.

Uma delícia, não? Mas o chá na Inglaterra é servido com leite. Eu gostei muito da mistura. Conseguem ver os torrões de açúcar no pote? E o pegador? Um charme. Mas cadê o Mr. Darcy?

Nesta foto, Maria Aparecida Mello Fontes, está no The Jane Austen Centre, in Bath. E o chá que ela está tomando é o “Tea with Mr. Darcy”. Este é um autêntico chá do período da regência, com bolos, doces e sanduíches (de pepino, favorito de Sua Majestade, a Rainha Elizabeth II).

 

 

Silvia Rezende, a tradutora de Cranford, de Elizabeth Gaskell, e Lady Anna, de Anthony Trollope!

Tradutora há mais de dez anos, Silvia já perdeu as contas de quantas obras já passaram por suas habilidosas mãos. Para a Pedrazul, ela traduziu Cranford, de Gaskel, e está na fase final de Lady Anna, de Trollope.

“Os livros são como filhos; alguns saem mais bonitos, outros nem tanto, mas todos levam todo o meu empenho e envolvimento com o trabalho que exerço com tanto carinho e satisfação.”

Blog Pedrazul: Como deu início à carreira de tradutora?

Silvia: Iniciei a carreira de tradução meio que por acaso. Eu tinha acabado de me mudar dos Estados Unidos de volta para o Brasil, junto de meu marido e meus dois filhos, sentindo que precisava fazer algo mais além de me dedicar somente à família; sentindo que precisava me realizar profissionalmente também. Após avaliar várias possibilidades, inclusive retomar o curso de psicologia que eu havia trancado no segundo ano, decidi que iria fazer algo totalmente novo, aproveitando o novo idioma conquistado, e prestei vestibular para o curso de Letras, Tradutor/Intérprete, na extinta UNIBERO. Foram quatro anos de muito estudo, tanto do inglês quanto do português. Mesmo antes de formada eu já tinha em mente que queria trabalhar com tradução editorial, e com este objetivo, saí à luta com um diploma em mão e nenhuma experiência. Não foi fácil conseguir que a primeira porta se abrisse, mas depois de muita insistência e muitos nãos, finalmente consegui uma oportunidade. Mas depois de algum tempo, minha sede de saber e curiosidade, traço que acompanha todo tradutor, não tinha cessado e resolvi retomar meus estudos; e desta vez busquei uma pós-graduação em Crítica Literária, pela PUC de São Paulo. Foi uma delícia circular pelo meio acadêmico novamente, tomar contato com novos autores, novas teorias e conceitos. Ainda tenho planos e um projeto para um mestrado. Quem sabe…

Blog Pedrazul: Quais gêneros você já traduziu?

Silvia: Ao longo da minha carreira já traduzi obras de vários gêneros literários, como por exemplo: livros de receitas, infantis, muita coisa de infanto-juvenis, livros técnicos, e principalmente romances de época, futuristas e contemporâneos.

Blog Pedrazul: Para você é importante traduzir o gênero que gosta?

Silvia: Não creio que seja essencial o tradutor gostar do gênero que traduz, mas sem dúvida isto torna o ato mais prazeroso.

Blog Pedrazul: Quais as maiores dificuldades encontradas por um tradutor?

Silvia: Uma das maiores dificuldades é pegar o jeito do autor, o tom e o estilo. Às vezes isso acontece logo no primeiro capítulo, em outros demora um pouco mais. E o grande desafio nos romances de época é a escolha lexical dos autores, pois muitas vezes nos deparamos com palavras e estruturas que caíram em desuso.

Blog Pedrazul: Quais as maiores alegrias encontradas por um tradutor?

Silvia: O envolvimento com a história, sem dúvida! Normalmente me envolvo com a obra, e não foram poucas as vezes que chorei enquanto traduzia algum trecho triste ou ri muito nos engraçados. O ato de traduzir sempre foi muito prazeroso, pois através dele tenho contato com outras culturas, personagens, histórias e estilos de escrita, além de possibilitar que outras pessoas possam ter acesso a obras originalmente publicadas em outro idioma. Confesso que acabo me apegando ao livro que estou traduzindo e sofro para deixá-lo partir. Leio e releio, melhoro alguma coisa, e sempre tenho a impressão de que se lesse mais uma vez ainda iria encontrar algo mais que poderia ser aprimorado. Os livros são como filhos; alguns saem mais bonitos, outros nem tanto, mas todos levam todo o meu empenho e envolvimento com o trabalho que exerço com tanto carinho e satisfação.

 "Estudem sempre, tanto o idioma de partida quanto o de chegada, principalmente, pois é essencial o domínio do idioma para o qual se está traduzindo. Leia muito e de tudo para ampliar o vocabulário, estude sempre, vá ao cinema e ao teatro, viaje muito, se possível."
“Estudem sempre, tanto o idioma de partida quanto o de chegada, principalmente, pois é essencial o domínio do idioma para o qual se está traduzindo. Leia muito e de tudo para ampliar o vocabulário, estude sempre, vá ao cinema e ao teatro, viaje muito, se possível.”

Blog Pedrazul: Conte-nos como foi o processo de tradução de Cranford?

Silvia: Adorei quando soube que iria traduzir Cranford para Pedrazul, pois apesar de ainda não ter lido o livro e eu já tinha assistindo alguns episódios da fantástica série televisiva inspirada nesta obra e produzida pela BBC de Londres. O livro superou todas as minhas expectativas. Ao longo do trabalho fui me afeiçoando aos personagens, rindo com as suas aventuras e sofrendo com as desventuras. Gaskel tem um senso de humor e crítico incríveis, que lembra muito o de Jane Austen. Ela, assim como Austen, que foi sua antecessora, escrevia numa época em que ser escritor não era coisa para mulheres, que nem tinham direito a herança. Porém de uma forma bem-humorada e que soa natural, ela cria a fictícia Cranford, cidade no interior da Inglaterra, habitada por solteironas e viúvas, que dominam a cidade tanto no aspecto financeiro, pois elas são donas das melhores casas, quanto no social, pois são elas que ditam as regras de conduta da cidadezinha. Trata-se de uma história cativante, comovente, engraçada e sensível.

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Blog Pedrazul: Há uma expectativa imensa em torno de Lady Anna, pois Anthony Trollope é ainda quase desconhecido no Brasil. Conte-nos um pouco dessa experiência.

Silvia: Lady Anna é o segundo livro que estou traduzindo para a Pedrazul e tive o prazer de poder escolhê-lo entre outros tantos. A editora me mostrou briefings de obras e me deu a oportunidade da escolha. Isso é um diferencial na Pedrazul! Nesta obra, o estilo do autor deu um pouco mais de trabalho e levei um tempo para me acostumar com seus parágrafos extensos e palavras que caíram em desuso. A trama é forte, os personagens mostram caráter e personalidade e o autor consegue manter o clima de suspense até o final. Mas Lady Anna, além de ser uma história de amor, tem também uma forte vertente sociológica. Trollope questiona as diferenças entre a classe nobre inglesa e a classe trabalhadora e os preconceitos de ambos os lados. É uma narrativa intensa, que apesar de ter sido escrita em 1871 e publicada pela primeira vez no formato livro em 1874, ainda é atual, pois aborda temas universais como o amor e as lutas de classes. Tenho certeza de que os leitores vão amar tanto quanto eu esta intensa história de amor.

Blog Pedrazul: Qual conselho daria para quem deseja iniciar carreira como tradutor?

Silvia: Estudem sempre, tanto o idioma de partida quanto o de chegada, principalmente, pois é essencial o domínio do idioma para o qual se está traduzindo. Leia muito e de tudo para ampliar o vocabulário, estude sempre, vá ao cinema e ao teatro, viaje muito, se possível. Nunca perca a curiosidade. Desconfie sempre das palavras, elas são traiçoeiras e adoram pregar peças. Nunca desista no primeiro não que escutar, insista, persista, e traduza para treinar e adquirir prática. Mas acima de tudo, trabalhe com amor.

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Talvez se interesse por mais obras Elizabeth Gaskell: Esposas e Filhas, O Chalé de Morland, Margaret Hale (Norte e Sul)
Quem se interessa por Margaret Hale (Norte e Sul), também se interessa por Um Coração Para Milton, de Trudy Brasure.
Sobre Anthony Trollope, talvez se interesse por A Senhorita Mackenzie
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O tradutor é o artista na retaguarda do autor!

Andrea Carvalho, tradutora de O Chalé de Moorland e Lizzie Leigh, de Elizabeth Gaskell, publicados em um único volume, e O Diário de Mr. Darcy, de Amanda Grange, e, em andamento, para lançamento no início de 2017, A Pequena Dorrit, de Charles Dickens, fala-nos do prazer indescritível de concluir uma tradução e das especificidades de um bom tradutor. “O tradutor é um coautor da obra, ele precisa ter uma veia artística”. A entrevista completa você confere aqui e, em vídeo, no canal Pedrazul no Youtube.

“Traduzir a Pequena Dorrit está sendo um grande prazer, pois Charles Dickens traz o que mais me seduz na literatura, que é a linguagem enquanto arte.”

Blog Pedrazul: O que o profissional tem que ter para ser um bom tradutor?

Andrea: A tradução é um trabalho bastante minucioso e o tradutor precisa realmente gostar do que faz, além de todo o cuidado com a linguagem, respeitando a textura do original, é necessário todo um trabalho de pesquisa em torno do contexto da obra e das referências trazidas pelo autor. A pessoa que trabalha com tradução literária precisa gostar realmente de literatura e precisa ter prazer em trabalhar com a linguagem; caso contrário, é impossível conseguir um bom resultado. O tradutor de uma obra é um coautor, ele precisa ter uma veia artística. Se você gosta de literatura e traduz uma obra com carinho e dedicação, o prazer quando conclui o trabalho é indescritível.

Blog Pedrazul: E como foi traduzir as obras de Elizabeth Gaskell?

Andrea: O Chalé de Moorland e o Lizzie Leigh são dois livros carregados de emoção, são obras que quando você lê fica óbvio que a autora é uma mulher. Chorei muito durante a tradução, as histórias tocam o leitor de uma maneira muito especial. Gaskell tem uma delicadeza na linguagem que eu precisei tomar muito cuidado para manter. E ela faz citações como, por exemplo, de poemas de autores clássicos como Shakespeare e outros é um trabalho à parte traduzi-los, além de textos similares que muitas vezes aparecem no meio da obra. Mas é uma autora espetacular e foi uma honra para mim traduzir duas de suas obras-primas.

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Blog Pedrazul: Fale-nos do processo de tradução de O Diário de Mr. Darcy, de Amanda Grange?

Andrea: O Diário de Mr. Darcy traz a versão subjetiva de um dos personagens centrais do romance clássico Orgulho e Preconceito, de Jane Austen. Assim como o clássico, a obra de Amanda Grange tem todo o charme típico dos romances da era georgiana. Foi uma tradução bastante tranquila e agradável, pois você se envolve com a história, fica querendo saber o que vai acontecer em seguida, torce pelos personagens, portanto, foi um trabalho realmente muito agradável e o livro é maravilhoso. Com certeza todo fã de Austen vai amar ler a continuação de Amanda Grange.

Capa O Diário de Mr. Darcy

Blog Pedrazul: Você aceitou um desafio e tanto, que foi traduzir Charles Dickens, conhecido por suas frases longas e estilo único. Como está a tradução de A Pequena Dorrit?

Andrea: Dickens era sem dúvida um gênio! A Pequena Dorrit é de longe o trabalho mais difícil da minha carreira como tradutora. Charles Dickens era um gênio da literatura, extremamente inteligente, crítico, e de uma sensibilidade humana e artística assustadora. A maior dificuldade desse trabalho não é apenas lidar com o vocabulário e as estruturas de complexidade absurda, mas é também respeitar o jogo poético da linguagem, sem mencionar as inúmeras referências. Traduzir A Pequena Dorrit está sendo um grande prazer, pois Charles Dickens traz o que mais me seduz na literatura, que é a linguagem enquanto arte.

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“A pessoa que trabalha com tradução literária precisa gostar realmente de literatura!”

 

 

 

 

Ellen Bussaglia, a tradutora de Esposas e Filhas, de Elizabeth Gaskell e Longe Deste Insensato Mundo, de Thomas Hardy

Ellen Bussaglia, a tradutora de Esposas e Filhas, de Elizabeth Gaskell e Longe Deste Insensato Mundo, de Thomas Hardy, e A Pobre Srta. Finch, de Wilkie Collins, em andamento, fala dos prazeres e das dificuldades da vida de um tradutor literário.

Blog Pedrazul: Conte-nos a sua experiência com a tradução. Como foi traduzir uma obra de Elizabeth Gaskell e de Thomas Hardy?

Ellen: Nunca havia trabalhado com literatura de época, e traduzir Esposas e Filhas foi um grande desafio para mim. Além de a linguagem ser um pouco diferente, era necessário pesquisar os fatos que são mencionados na história, o que levou um pouco de tempo, mas foi uma experiência muito enriquecedora. O segundo livro, Longe deste Insensato Mundo, como eu já estava mais habituada à linguagem vitoriana, já foi mais tranquilo. Posso dizer que é um trabalho difícil, mas muito prazeroso!

Blog Pedrazul: Teve dificuldade em encontrar o tom do autor?
Ellen: Não muita. Tenho mais dificuldade na escolha das palavras adequadas à época em que a história se passa.

Blog Pedrazul: Em sua opinião é importante o tradutor gostar do gênero literário da obra a qual traduz?
Ellen: Sim, sem dúvida, a afinidade é uma grande ajuda. Sempre tive medo de traduzir gêneros que não me agradassem. Quando gostamos do gênero, temos maior familiaridade com os temas e sabemos onde procurar aquilo que não conhecemos.

Blog Pedrazul: Teve alguma surpresa com a história durante a tradução? O que lhe encantou na tradução?
Ellen: Chorei bastante quando alguns personagens morreram e senti raiva de algumas mocinhas!

Blog Pedrazul: Qual conselho daria para aquela pessoa que sonha ser um tradutor?
Ellen: Estudar muito o idioma que deseja traduzir; estudar a língua Portuguesa e as técnicas de tradução literária. É um trabalho que exige estudo e dedicação, mas recompensador.

Blog Pedrazul: Em sua opinião, qual a maior gratificação de um tradutor?
Ellen: Ver seu nome nos créditos da tradução da obra. Sabemos que as melhores traduções são aquelas em que o tradutor é invisível, mas o reconhecimento é muito importante para mim (e a forma como a Pedrazul faz isso é realmente diferente das outras editoras). Tenho muito orgulho do meu trabalho e de traduzir obras consagradas da literatura inglesa. Ter a oportunidade de traduzir pela primeira vez estas obras para o português é um aprendizado muito grande e que me deixa muito feliz pelo que faço.

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Ellen Bussaglia, ao lado do busto do escritor Ernest Hemingway, em Key West, Na Flórida: paixão por literatura!

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Ela não pensava como as mulheres do século XIX!

O romance A Cinza Lívida, do autor gaúcho Henrique Madeira, narra a história de Jocasta, uma menina que vagava perdida em um vale, em algum lugar do interior do Rio Grande do Sul, no final do Século XIX. Ela se encontrava desmemoriada, assustada, com alguns dentes frouxos e outros lhe faltando, as roupas salpicadas de sangue e a pele marcada por hematomas.

Quase sucumbida pela exaustão, Jocasta encontra uma casa de campo isolada em meio a um vale cinzento, onde é generosamente acolhida e passa a viver na companhia de uma simpática matrona, um jovem lenhador, um velho homenzarrão – que apresenta sérios problemas mentais – e duas criadas bisbilhoteiras. Sua chegada é motivo de muita suspeita e especulação por parte dos moradores, e nesse ambiente monótono e silencioso, onde as horas se arrastam lentamente, ela tenta recuperar suas memórias e desvendar seu passado misterioso.

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A partir daí, a trama desenvolve-se em duas linhas do tempo que se alternam entre o que parece ser o presente e o passado de Jocasta. Aparentemente, ela vivia com seus pais em uma fazenda ligada a uma colônia alemã. Cresceu recebendo lições de sua mãe e seu pai era o pastor da comunidade. A vida no campo a mantinha isolada do mundo, em constante estado de ócio, e sob uma criação rígida, moldada nos costumes germânicos.

Jocasta tinha uma mente inquieta. Ansiava descobrir o que havia além do horizonte da colônia, saborear aventuras mundanas, sentir o vento da liberdade a roçar seus cabelos e experimentar o sangue quente a pulsar pelo entusiasmo de uma grande paixão. Mas ela estaria disposta a pagar o preço por suas escolhas na preconceituosa, puritana, violenta e patriarcal sociedade gaúcha do século XIX?

A Cinza Lívida é uma trama repleta de mistérios, pecados, desejos, traições e sangue. Uma pintura incômoda e apurada da sociedade interiorana gaúcha, que denúncia as terríveis condições sociais impostas às mulheres daquela época, sobretudo, A Cinza Lívida é uma canção póstuma aos espíritos livres.

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Cambridge, citado dezenas de vezes em livros clássicos!

Um lugar verdadeiramente idílico para explorar!

Imagens de Jefferson Melo.

Você já deve ter lido em alguma de nossas obras que alguém estudou em Cambridge, normalmente os nobres e os filhos dos ricos aristocratas ingleses. Em Esposas e Filhas, de Elizabeth Gaskell, tradução de Ellen Bussaglia, o mocinho Roger Hamley, não só estudou em Cambridge no século XIX, como se tornou um wrangler sênior, uma distinção em matemática dada pela instituição somente aos melhores alunos. Roger Hamley também se tornou um Fellowship, um tipo de bolsista da instituição, levando-o não somente a receber uma renda mensal, como possibilitou a sua ida à África. Em breve postaremos uma matéria sobre Roger e a África e um vídeo, direto da África, sobre o mesmo tema no canal da editora no Youtube.

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A Universidade de Cambridge, que é dividida em 31 faculdades com arquiteturas deslumbrantes, cuja mais famosa é a Kings College, com a sua capela gótica, é ainda a cidade aonde vão os estudantes não só londrinos, mas do mundo todo. “Entretanto, não basta ter só dinheiro e título como antigamente, agora para entrar em uma dessas universidades tem que ter nota”, ressaltou nosso correspondente londrino, Jefferson Melo.

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Às margens do rio Cam, Cambridge é um lugar verdadeiramente idílico para explorar. Uma das universidades mais antigas do mundo, o prédio de 1871, da All Saints Church, com seu estilo gótico, seus jardins famosos recebeu neles John Milton (1608- 1674), de Paraíso Perdido. Ao contrário de Oxford, sua tradicional rival, Cambridge foi muito pouco atingida pela industrialização, mantendo a atmosfera de cidade universitária em toda a sua pureza. A vida da cidade, praticamente, limita-se às atividades direta ou indiretamente ligadas à população estudantil, quase se despovoando nos períodos de férias escolares.

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Com os colégios recobertos de vegetação alinhados ao longo do rio, os verdes gramados e campos de esporte, a par da riqueza de sua arquitetura, Cambridge é uma cidade extremamente bela. As noites são perfeitas, com seus pubs tradicionais e restaurantes contemporâneos.

Fica somente a uma hora de carro de Londres e 50 minutos de trem da Liverpool Street Station.

Texto de Chirlei Wandekoken.
Imagens de Jefferson Melo.

 

Longe Deste Insensato Mundo – Thomas Hardy

Far From the Madding Crowd, lançada em 1864, foi a obra com a qual Hardy ganhou notoriedade e se tornou um autor conhecido na Europa e fora dela. Atendendo aos seus leitores – que o solicitaram, provavelmente devido à adaptação cinematográfica da BBC , a edição da Pedrazul tem o título de Longe Deste Insensato Mundo.

Assim que você inicia a leitura deste livro compreende por que ele deixou o autor famoso. Longe Deste Insensato Mundo é inquestionavelmente belo: as paisagens são idílicas e o leitor se imagina caminhando por elas, em meio às ovelhas, sentindo o vento no rosto, pois Hardy faz alusão aos elementos da natureza em diversos trechos do livro; se imagina olhando as estrelas e ouvindo os suaves sons da flauta tocada por Gabriel Oak, o charmoso e íntegro fazendeiro que veio a se tornar um simples pastor de ovelhas.

“O céu estava claro, extremamente claro, e o brilho de todas as estrelas parecia não ser mais do que batimentos de um corpo, marcado por um pulsar comum.”

“Um exame cuidadoso do solo nas redondezas, mesmo que apenas sob a luz das estrelas, revelaria as figuras esbranquiçadas das mansas ovelhas.”

 “De repente, uma inesperada série de sons foi ouvida neste lugar. Eram de uma clareza que não podia ser encontrada em parte alguma do vento, e uma sequência que não podia ser encontrada em parte alguma da natureza. Eram as notas da flauta do fazendeiro Oak.”

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Longe Deste Insensato Mundo é uma mistura do idílico com o real. Ao mesmo tempo em que o livro traz uma doçura extrema na pessoa de Gabriel Oak, no cenário, na natureza esplendorosa e cativante, Hardy ousou quebrar o arquétipo da mulher vitoriana submissa, pura, donas de casas perfeitas e fiéis. Aliás, as heroínas de Hardy são bem humanas, com desejos sexuais como os homens e, mesmo àquela época, ousavam demonstrá-los. Aqui, tanto Bathsheba Everdene quanto Fanny são mulheres reais, com seus desejos, e ousaram buscá-los.

A personagem principal, que recebe da parte de Hardy o nome de Bathsheba, numa referência à personagem homônima pela qual o rei Davi se apaixonou e se “desgraçou”, é ousada, franca e obstinada. Mas, mesmo Hardy sendo um autor com fama de pessimista, em Longe Deste Insensato Mundo não há grandes tragédias! Fiquem tranquilos!

Bathsheba, antes uma pobre camponesa, recebe uma herança da parte de um tio e se torna proprietária de uma vasta propriedade rural em Weatherbury, no interior da Inglaterra. A expansiva moça, ainda quando pobre, havia conhecido o fazendeiro Gabriel Oak, um homem sensato e justo, e ele tinha se interessado por ela a ponto de lhe propor casamento – coisa que ela não aceitou, alegando que não o amava. Embora o rapaz tivesse questionado, dizendo que a amaria acima de qualquer coisa e que seu amor era tão intenso que ele a amaria “por ele e por ela”, isso não funcionou para mudar a decisão da espirituosa moça.

“O amor, entretanto, é uma força possível na fraqueza real. O casamento transforma uma distração num apoio, o poder que deve ter e felizmente sempre tem em proporção direta ao grau de imbecilidade que suplanta. Oak começou a ver luz em sua direção e disse a si mesmo: “Vou fazer dela minha esposa, ou juro que não servirei para nada!”

 Gabriel Oak é aquele tipo de homem que daria o marido perfeito: amoroso, bondoso, íntegro, trabalhador, assertivo e não agressivo, além de belo. Que mulher no século XIX não aceitaria tal homem como marido? Bathsheba Everdene. Ela, assim como seu pai no passado, como por genética, tinha aversão ao compromisso do “viveram felizes para sempre”. Conta-se que o pai da moça, para continuar sentido atração pela esposa, embora esta tivesse sido a mulher mais bela do condado, tinha que “fingir” para ele mesmo que ela era solteira e não casada com ele. Portanto, Bathsheba, pelo jeito, havia herdado tal gene.

Abro um parêntese aqui para falar da vida do autor. Creio que Hardy se inspirou nele mesmo para criar Bathsheba. O autor se casou com Emma Lavinia Gifford, em 1874, após o sucesso estrondoso dessa obra. Entretanto, não tiveram filhos e foram muito infelizes. Mas, quando Emma morreu, ele se descobriu apaixonado por ela e amou “sua mulher morta e enterrada como nunca a amou em vida”, mesmo já estando casado com outra, uma autora infantil chamada Florence Emily Dugdale. Isso não lhe parece familiar?

Bem, voltando à ficção, algo acontece e o fazendeiro Oak perde tudo, e o destino o leva a ser um simples pastor de ovelhas da fazenda da agora rica Bathsheba. E o rapaz continua apaixonado por ela: “Oak, de repente, se lembrou de que oito meses antes ele havia lutado contra o fogo, no mesmo local, tão desesperadamente como ele agora lutava contra a água e pelo amor fútil da mesma mulher”.

 Entretanto, Bathsheba, que tinha aversão ao casamento, inquietava-se com verdadeiro destempero quando não era notada ou admirada pelo sexo oposto. Vizinho à sua fazenda morava um enigmático fazendeiro de meia-idade, Mr. Boldwood. Este não a notara e nem caíra de amor por Bathsheba. Boldwood já havia sido alvo de todas as moças casamenteiras daquela região e nenhuma delas conseguira levá-lo ao altar. Ela, então, numa brincadeira, usando o Dia dos Namorados como pretexto, envia-lhe uma mensagem. Aqui ela, irresponsavelmente, dá início a um drama que ela poderia muito bem ter passado sem ele. Quando o sedutor sargento Troy aparece na história, a jovem dama faz uma escolha terrível, a pior delas, confirmando que a máxima de que ‘mulher se apaixonada pelo cara malandro’ é bem antiga.

“[…] a cegueira pode operar de forma mais vigorosa do que a presciência, e o efeito míope mais do que se vê ao longe; essa limitação e não a integralidade é necessária para a luta.”

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Em Longe Deste Insensato Mundo o destinos de três homens dependem da escolha de uma mulher, e ela descobre as terríveis consequências do seu coração inconstante. Hardy nos faz refletir sobre a diferença entre paixão e amor: a volatilidade da paixão e a durabilidade do amor verdadeiro. Aquele que quer o bem da pessoa, mesmo sendo rejeitado. Na paixão não há isso…

“As ofertas mais raras do mais puro amor não passam de comodismo e nada têm de generosidade.”

“O afeto deles era substancial, palpável. Os dois, que foram colocados juntos, conheciam os lados mais sombrios do caráter um do outro. O romance, agora, cresceria nos interstícios de uma massa da realidade dura e prosaica. Esta boa-comunhão-camaradagem, que geralmente ocorre através da semelhança, é, infelizmente, raramente adicionada na busca do amor entre os sexos, pois homens e mulheres não se associam em seus trabalhos, mas em seus simples prazeres. Onde, no entanto, a feliz circunstância permite o seu desenvolvimento, o sentimento prova ser o único amor que é forte como a morte, o amor que muitas águas não podem apagar, nem os rios afogar, ao lado do qual a paixão normalmente é evanescente como vapor.”

 É um romance de paixão, de amor e afeto, com descrições da vida rural e paisagens idílicas, e mostra com extrema honestidade as relações sexuais na época. O meu personagem preferido é Gabriel Oak. Não tem como não admirar a sua constância e a sua fidelidade. Há muitos personagens secundários, os empregados da fazenda de Bathsheba são hilários, nos fazem dar boas gargalhadas, e os diálogos mostram a cultura da região.

Mais uma vez aplaudo Hardy de pé! Tornou-se um dos meus autores prediletos por não “maquiar” a realidade e, ao mesmo tempo, ousar contar aquilo que necessita muita coragem! Foi criticado à época e até chamado de imoral; entretanto, é por esse motivo que as suas obras, embora clássicas, são tão contemporâneas!

Tradução de Ellen Bussaglia, a mesma tradutora de Esposas e Filhas, de Elizabeth Gaskell.
Resenha de Chirlei Wandekoken

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Veja também outras obras de Thomas Hardy:
Tess dos D’Urbervilles
O Retorno do Nativo